sábado, 30 de abril de 2011

Ginásio CF vence Taça de Portugal em kickboxing

Pela primeira vez, e surpreendentemente, o Ginásio Clube Figueirense venceu hoje, no Pavilhão dos Desportos, na Anadia, a Taça de Portugal.
O treinador Manuel Teixeira não esperava a vitória, uma vez que há clubes que apresentam o dobro ou o triplo do número de atletas que a equipa figueirense apresenta, o que tornava a vitória da equipa figueirense pouco plausível.
Mas a perfomance da maioria dos atletas que se apresentaram em boa forma permitiu a surpresa.
As fotos da festa:

Francisco Madureira, Tiago Mendes, Miguel Ângelo, Rita Madureira, Francisco Afonso e Bernardino Araújo

Carina Maia e Rita Madureira


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Foi você que pediu o capitalismo selvagem?

Augusto Alberto

Se não foi, previna-se, porque estamos na sua antecâmara. Primeiro foram os doentes portadores de doenças raras. Agora a medida tornou-se extensiva a quem é portador de hepatite B crónica. A farmácia do Hospital dos Capuchos (Lisboa) está a exigir a estes doentes o pagamento do medicamento Tenofovir, um antivírico necessário para tratamento da infecção crónica pelo vírus da hepatite B (VHB). Este medicamento custa a cada doente 362,52 euros por mês, de acordo com o comprovativo passado pelos serviços farmacêuticos/sector ambulatório daquele hospital.

Esta é a notícia de um jornal, que deixo sem mexer na sintaxe. E o que quer dizer? Que está a caminho a completa liquidação do Sistema Nacional de saúde, uma das grandes conquistas do 25 Abril. Trocando por miúdos, esta liquidação, muito acelerada, é a aplicação prática da célebre teoria do PPD/PSD, que diz: “quem quer saúde paga-a”. E ainda só estamos no desgoverno do Partido Socialista. Não sei se me entendem. Chegará a altura em que alguns ganharão muito dinheiro à custa da doença alheia, como é comum no mais destrambelhado capitalismo. Aliás, como a vadiagem financeira, que vai medrando à custa da ramela que escorre pelo corpo de milhões de portugueses. Foi para isso que a troika cá veio, apesar de eu e você não a chamarmos. Mas vou ser eu e você quem vai pagar a opção de classe que visa safar os bancos alemães e franceses e inchar a banca nacional. Esta durante muito tempo recebeu dinheiro emprestado do B.C.E. a 1% e emprestou ao estado português, a 8%, e que numa manobra de torção, recusou emprestar mais dinheiro. Teve a sagacidade de acelerar a entrada do cartel dos agiotas, para, dizem, criar um fundo de contingência para suportar os famosos testes de stress da banca nacional. Em piano baixo, quer dizer, realizar, sem stress, mais um roubo inteligente.
Enquanto esta seita enriquece, nos antípodas, o povo vai na rota da total liquidação. Nada disto é difuso. Por isso, não me venham dizer que a culpa é do 25 Abril, porque 25, mais Abril, são só datas no tempo e na memória que exigem defesa permanente. Aqui chegados, convêm então perguntar quem decide e autoriza este vazar das coisas? O povo português, que tem dado, infantilmente, o seu voto a quem a seguir rouba Abril. É assim que as coisas têm de ser vistas e ditas, por um cidadão politicamente engajado, que se sente liberto de ser politicamente correcto. O mal está na fobia da autoflagelação.
Por isso, só é totó ao cabo destes 37 anos, quem quer.

Remo: selecção angolana prepara-se em Coimbra



André Matias e Heráclito Guimarães (na imagem) e Jean Luc são os 3 atletas que vão representar Angola nos Jogos Pan-Africanos e tentar o apuramento para os Jogos Olímpicos.
Representam actualmente a Associação Académica de Coimbra, tendo o segundo nascido na Figueira da Foz, cidade onde foi treinado por Augusto Alberto, colaborador deste blogue.
Os Jogos Pan-Africanos realizam-se em Setembro em Moçambique, seguindo-se em Outubro a qualificação para os JO em Alexandria, no Egipto.
No plano de preparação dos atletas está a participação na Regata Internacional da Queima das Fitas, no próximo dia 7 de Maio.
Embora muito difícil o apuramento para Londres seria ouro sobre azul para uma modalidade que se tem desenvolvido em Angola.

Então é disso, a democracia tem carrapatos!!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ferrinhos

Augusto Alberto

No dia 24 de Abril deste ano de 2011, 37 anos após o último dia da era fascista, estava um pouco sombrio e a precisar de me erguer. Felizmente, num segundo de sorte, tudo mudou. Num zapping, fiquei no magistral concerto de Richard Galliano no festival de jazz de Nancy. Galliano na companhia de 3 belíssimos violinos, um violoncelo e um contrabaixo, que durante 2 horas nos agarraram com notas sertanejas, do próprio Galliano, tango e Astor Piazzola, imperdível, e sobretudo de belíssimas notas de Bach, saídas do acordeão e harmónica vocal. A cereja em cima da doce espuma dos sons. Sons absolutos e sempre que possível, a repetir. Recuperei naturalmente o brilho dos dias.

E recuperei de quê? Recuperei a paz, depois de ter ficado molestado com o exercício intelectual que foi a entrevista à televisão de Ferro Rodrigues. Como é possível aquele exercício intelectual canalha e retorcido, de alguém que disse, teve preocupações sociais? Ferro Rodrigues portou-se como um cangalheiro, sem a noção do tempo que passa, coleccionando e depois debitando os arquétipos de serviço e da moda, num exercício intelectual repetido até à náusea do nauseabundo exercício de vitimização e de passa – culpas de Sócrates e do Partido Socialista. Ferro Rodrigues depois desta entrevista, a pedido, se perder um tempinho a saber o que dele se diz, só poderá ficar muito dorido. Está ferido! Evidentemente que sempre poderemos dizer, que para quem perdeu a vergonha, a dor não será muita. Exactamente. Mas é aqui que a porca troce o rabo. Porque razão há gente que se coloca neste patamar de bajulice e submissão? No exercício pessoal da procura de um lugar para o remanso dos dias, e, para isso partem sempre do princípio de que estão a falar para gente pouquíssimo exigente e sem vontade de fazer um exercício crítico e de aprendizagem. Assim a modos como falar para carneiros. Compensa, ainda, ao cabo de 37 anos.
Depois, revigorado pelo bálsamo dos sons, aproveitei para recordar os lugares por onde passei no dia 25 de Abril de l974. No Carmo, mesmo na hora. Depois desci à Rua do Arsenal, onde as coisas aqueceram. E no dia 26, exactamente na António Maria Cardoso, a “ouver” a PIDE com tempito ainda para matar. Tinha chegado da guerra há uns diazitos atrás, e por isso só podia estar muito feliz. Só nunca estive preparado para “ouver” o exercício nauseabundo e passa – culpas, após 37 anos, dos que, outra vez, vem empobrecendo esta pátria de quase 9 séculos.
Isto não é tremendismo, é a vontade de dizer a todos os “ferrinhos”, já chega, tenham vergonha, se se acham credores ainda de alguma honra.

terça-feira, 26 de abril de 2011

No coração do império

Dezenas de presos com perturbações psiquiátricas, foram mantidos presos no campo de concentração de Guantánamo durante vários anos pelos EUA. Vários tentaram suicidar-se e pelo menos três consumaram o acto em 2006. De acordo com a informação filtrada pelo Wikileaks e divulgada hoje através do jornal El Pais, é demonstrada a obsessão dos interrogadores em encontrar o paradeiro de Osama Bin Laden a todo o custo e reflectem a extrema violência que marcam as relações entre guardas e prisioneiros no campo de concentração.

Troikas há muitas...



Estas, por exemplo. 
Como a primeira e a terceira partilham a mesma luta, e como a união faz a força, dia 5 de Junho são muito bem capazes de ter isto no papo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Como o fiel escudeiro Egas Moniz

Augusto Alberto

Segundo reza a lenda, Egas Moniz, da linhagem das melhores famílias de Entre – Douro e Minho, a quem foi confiada a educação do nosso primeiro Rei, e seu futuro aio, deslocou-se a Toledo, com a mulher e filhos, descalços e presos pelo pescoço por um baraço, colocando a sua vida e da sua família nas mãos do Rei de Castela, como penhora pelo juramento feito pelo seu amo e nosso primeiro rei, Afonso Henriques, quebrada com a invasão da Galiza. Afonso VII de Castela, impressionado com tamanha honra, mandou-os de volta a Portucale e em paz.
A gente sabe que às vezes a História se repete. E também Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, aio e escudeiro para as questões da economia do nosso José Sócrates, desde há uns tempos atrás, tem andado um trapo e também com um baraço ao pescoço, em cabal fidelidade ao seu Primeiro Ministro. Mas acontece, a fazer fé nos varejões dos jornais que tudo sabem, ao contrário de Egas Moniz, que foi mandado de volta e em paz, José Sócrates mais os restantes fieis escudeiros, deste feita, torceram a História, fazendo alto ao ministro Teixeira dos Santos e indicaram que se vá e que aperte o nó do baraço, até que sufoque o pescoço. Que ingratidão!
E neste caudal de gente mixoalha e de submissões, por três vezes li o texto e por três vezes esbugalhei os olhos, apesar de saber com o que contamos até tive dificuldade em acreditar. O Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, que em tempos foi sindicalista da UGT, (tinha que ser), apresentou-se, à “troika”, com as canelas em ferida, o baraço em desalinho e o cachaço em baixo, a pedir que esta “troika”, nos indique uma mudança na Constituição Portuguesa, afim de facilitar os despedimentos. Depois de ler e reler tamanha noticia, só posso concluir que esta gente é um horror e que em todo o mundo, não pode haver pessoas tão fracas. É por isso que gosto cada vez mais de gente que é capaz de manter a espinha direita, mesmos nos momentos em que as curvas mais apertam. A um telefonema da “troika” para a Soeiro Pereira Gomes, os meus camaradas indicaram que por ali, nada feito. Que fossem levar onde levam as galinhas. No olho do cú! Aprendam como se faz e como se honra a Pátria, o nome e a memória de grandes e fieis Portugueses, como o fiel escudeiro, Egas Moniz.
Ah! grande Partido Comunista Português.

"Outra Margem" faz 5 anos

Aniversariante tambem como "Abril", o blogue do meu amigo António Agostinho festeja hoje  5 anos.
Seja ao serviço da sua pequena localidade, a aldeia Cova-Gala, no sul do concelho, ou com informação nacional ou internacional, o Agostinho coloca sempre o rigor e a seriedade que o caracterizam como pessoa e como o caracterizaram como jornalista. Mesmo quando utiliza o seu subtil sentido de humor.
Aqui ficam os parabéns. Ao Agostinho e ao Pedro.

Abril sempre! (V)

domingo, 24 de abril de 2011

Obedecer é muito lindo


Como já não há poder político, mas sim comissários políticos do poder económico, os “políticos” já não têm muito para dizer ou fazer, exceptuando, claro, o cumprimento de ordens.
Assim, quando abrem a boca só lhes resta dizer coisas óbvias que toda a gente sabe, e que não passam de baboseiras. Ferro Rodrigues exemplifica numa recente entrevista a obediência aos donos que custará a independência ao país.
Defende o totó um acordo com a Direita. Ele não defende coisa nenhuma. Toda a gente já sabe que é o FMI, com quem eles andam ao colo, que exige.
Diz, também, que não quer um acordo com a Esquerda. Pudera, estaria a negar toda a política seguida pelo seu partido, de subserviência ao capital internacional, de aumento de desemprego, de trabalho precário, de agravamento das condições de vida de quem trabalha. Mas não é ele que não quer, sãos os donos.
Mas no fundo, mesmo lá no fundo, este tótó sabe bem, como toda a gente sabe, que se a Esquerda tivesse o FMI ao colo deixava-o cair e pisava-o. E mandava-o para casa.

Zé Leonel

A banda figueirense "Cães Danados" dedicou esta madrugada, no concerto em Arneiro de Fora (Maiorca), o tema dos "Xutos e Pontapés" "Morte Lenta", ao malogrado co-fundador da mítica banda.
Com as guitarras e a bateria em silêncio, o baixo e a voz sentida do vocalista Paulo Dâmaso prestaram homenagem ao músico recentemente desaparecido.
Recorde-se que aquele tema fazia já parte do reportório da banda figueirense, da mesma maneira que os "Xutos" são uma das suas referências.

sábado, 23 de abril de 2011

Abril sempre! (IV)


E o réu levantou-se com o aprumo e a dignidade das consciências tranquilas.
Jovem, tinha no olhar a limpidez dos íntegros e a altivez dos lutadores.
 - Nome, idade, filiação?
- Chamo-me Abril, nascido em 25 de 1974, filho da opressão e da miséria.
- Sabe do que é acusado?
- Confirmo, meritíssimos juízes que sei e me orgulho da sublime culpa.
Devolvi à flor a cor e o sentido, espalhei por todas o aroma inolvidável, iluminei-as com o sol da vida e da esperança, quebrei-lhes as algemas e as grades dos cárceres da tristeza, e as pétalas abriram-se libertas e as crianças sorriram. Ao vento dei a direcção e o pólen que fecundou a dignidade de néctar já esquecido
Fez uma pequena pausa e num tom calmo mas firme continuou:
Não sou herói nem mártir, mas a vida que em mutações constantes repele a cobardia e ao esgotar-se em sofrimento renasce impetuosa e firme, sugerindo de novo caminhos que só a bússola do sonho é capaz de encontrar.”
Os juízes entreolham-se; na assistência, uma jovem de beleza etérea, frágil embora, como tudo o que é puro, segue, letra a letra, o discurso vigoroso. É a Liberdade, sua irmã. Filha também de todas as quimeras, sem as quais a existência não tem sentido, sabendo-se que a nossa vida está orientada para o futuro que Lhe pertence.
A Liberdade, irreprimível, intemporal, questionou:
Porquê e em nome de quem nos julgam? Tempo perdido é o vosso. Sou parte dos subjugados pela ignorância quando dela consciência tomam e se libertam. Corporizo os seus anseios colectivos no Maio 1º, e posso renascer, e renasço sem dia ou mês anunciados.
Não se julga o sol e o luar e o bom-senso não questiona as estrelas, a brisa das manhãs ou o crepúsculo.
Em que instância se encontram a cobiça e a arrogância, irmãs daninhas, subvertendo indecisos, fracos e frustrados, arregimentando-os em legiões de corruptos?
Dado que libertas se encontram, decerto deixaram como caução a gula esfomeada que já vos subornou!
Abril retomou a palavra:
Um mês é sempre precedido de outro mês e de outros tantos como a eternidade, da opressão nasceu sempre a revolta tão natural como a água nas fontes. Julgando-me arrastam na vossa acusação, Maio meu irmão, e nossa irmã Liberdade que me abraçaram nesse reencontro que a memória retêm.
Senhores jurados, meritíssimos juízes duma causa também vossa; lembrem-se das lágrimas de alegria, da festa, da fraternidade que a todos envolvi quando cheguei, da solidariedade reencontrada, das canções, da alvorada de esperança que, perdendo-se, vos perde!
E justiça foi feita:
Abril, Maio e a Liberdade foram condenados a jamais se separarem, a lutarem eternamente, a nunca se curvarem e a serem amados para todo o sempre pelos que exigem dignidade e pão.
E assim será!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mourinho em punk-rock

Claro que estou rendido ao futebol maravilha do FC Barcelona. Mas também, por razões mais culturais que propriamente futebolísticas, simpatizo mais com os "culés". Não ganharam, mas há mais marés que marinheiros, como diz o povo. 
Aqui fica, contudo e para realçar o meu desportivismo, uma canção dedicada ao "special one". Os "Cães Danados" serão muito possivelmente a primeira banda do mundo a dedicar um tema ao possivelmente melhor treinador do mundo. Aí vai:

Cangas

Augusto Alberto

Tem papeira? Isso resolve-se com a canga, disse o fulano das rezas, crendices e mesinhas a um vizinho muito próximo. Isto foi há muitos anos, num tempo de bons e repetidos milagres. Dias a fio, pelo fim da tarde, o meu vizinho meteu a canga do boi no pescoço e com enorme esforço rodava a nora e o balde subia e a água corria para o pote. Era eu uma criança e, espantado claro, olhava para aquilo como quem olhava para um boi. Evidentemente que após um bom par de dias com a canga à volta do pescoço e das voltas ao poço da água, a papeira persistia e o duplo incómodo também. O padecente, cansado da mezinha, deixou a canga para o boi e em quase desespero, alterou a terapia, abeirou-se do médico e começou o tratamento adequado. A papeira murchou.
Hoje, para lá dos 60, sinto que meio século é muito tempo, mas parece que a canga aperta e a nora continua à roda, porque deparo com um cartaz que nos convoca para uma manifestação contra a canga. Não a canga que cerca o pescoço do boi, e a que cercou a do meu vizinho, mas a canga que nos cerca económica e socialmente. E o que diz o cartaz? “Não te deixes roubar, combate-os”.
E com toda a clareza indica quem temos de combater, que é quem nos tem posto a canga. Conferindo: Cavaco, Sócrates, Teixeira dos Santos, Passos, Portas, Fernando Ulrich, Santos Ferreira, Belmiro, etc. Surpreendente, parece ser a coragem de chamar os ladrões pelos nomes. Uma má surpresa para os ladrões, evidentemente, que por isso nunca perdoarão. Ficaram, se ainda restasse dúvidas, a saber que felizmente ainda há gente que não está infantilizada por aquela máxima que diz: nunca cuspas na mão que te dá o prato da sopa. Antes pelo contrário, é gente firme e com todo o propósito, escorraçada de alguns lugares, porque tem a coragem de denunciar as mãos que nos roubam o pão. É então o momento de fazer perceber a alguns meus camaradas, que me aparecem tristes e aborrecidos, que as coisas são muitos claras. Não é por acaso que a comunicação social, aos comunistas, os apaga e o Cavaco que convoca todo o traste para conselheiro do estado, aos comunistas, diz não.
Muitos são os ladrões, sabemos de fonte segura, mas outros, convencidos, estão com a ladroagem, porque lhes parece que aqui e agora, vão sobrar umas migalhas. Devo sublinhar que é um engano, porque a ladroagem quer que a roda rode e a nora gire sempre no mesmo sentido, para que balde a balde a água suba e caía sempre no mesmo pote.
Quem vos avisa, vosso amigo é.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Abril sempre! (III)

Em tempos de austeridade comemora-se, ou antes, relembra-se, o 25 de Abril, dando as "boas vindas" aos "Famigerados Mentecaptos Imbecilóides" (FMI).
Tudo ao melhor estilo Tubo de Ensaio.
Deve de ser um espectáculo a não perder. Excepto para aqueles que...

É obra, chiça!!!!


Nas vésperas do 37º aniversário da Revolução dos Cravos vamos percebendo, aos poucos mas os exemplos sucedem-se com uma assiduidade pouco recomendada, que as coisas não mudaram por aí além.
Os tiques salazaristas continuam presentes na sociedade portuguesa, o que faz  que não admire a situação em que está o país.
Aí vai um exemplo, com a solidariedade devida ao Rogério Neves.

sábado, 16 de abril de 2011

A “puta e curta” da sardinha

Augusto Alberto

São nas curvas mais difíceis, que homens, mulheres e instituições, mostram de que fibras são feitos. A este propósito, Otelo tremeu mais uma vez das pernas e por causa de tamanha tremedeira, bolçou mais uma asneira. Otelo sempre foi curto. Uma espécie de passarinho sem pena, que impede que levante voo. E o meu amigo Rogério Neves, atento, disse, antes, deverá dizer: “se soubesse o que sei hoje, não teria tomado as decisões que tomei, nomeadamente a traição a Vasco Gonçalves e a Costa Gomes”. Se calhar, se as coisas tivessem cumprido um “pouquinho”de Abril, talvez tivéssemos evitado tanta pobreza e o F.M.I. Assim, por este andar, o mais certo é que abra por cá, em S. Bento, em permanência, uma sucursal.

Por três vezes e com elites como estas, é fácil de admitir “salvífica” possibilidade. Desta vez sobra para nós, das próximas, sobrará para os nossos netos e depois para os bisnetos e por ai adiante. Mas, atendendo aos factos, é justo perguntar: "que andaram a fazer as elites"? Evidentemente, a empobrecer-nos! Aos empréstimos, gerações sucessivas têm pago com aviltantes e aberrantes juros. Mas infelizmente, a somar desgraça a desgraça, a passagem do F.M.I. por esta pátria, não resolveu coisa nenhuma, porque volta sempre mais uma vez.
E porquê? Porque as elites, devoradoras e necrófagas, colocam o país sempre no limbo da bancarrota e da pobreza. Ainda uma factura não foi paga, logo outra se apresenta e nós, sempre, simultaneamente a apertar e a pagar. A prestação de contas não existe, antes pelo contrário, fazem-nos querer, que é uma inevitabilidade. E porque de uma inevitabilidade se trata, não existe engano, é pagar e calar. E ai está a insidiosa campanha que coloca o F.M.I, como “boa ajuda”. E se ajuda é boa, sim senhor, não interessa questionar. O que é preciso é ir adiante, de empréstimo em empréstimo, juro a juro, porque anda por cá quem pague. Uma espécie de “lá no mar anda para quem nós ganha”.
A esse propósito, as centrais de propaganda debitam golfadas de informação, usando e abusando de comentadores, colossalmente escolhidos e pagos, numa espécie de éden, muitos deles indicados para as geniais listas a deputados, do CDS, PPD/PSD e Partido Socialista, que nos têm-nos na conta de imbecis, burros de carga, incapazes de dar um coice ou um grito e sempre disponíveis para pagar a selvajaria de gente que em nenhum momento deixa de enriquecer. Um povo sempre disponível para continuar a dividir uma sardinha por três, como no tempo do Dr. Salazar. Infelizmente, não anda muito longe da verdade. Quase que aposto que no dia 5 de Junho, muitos dos esmifrados vão votar em quem nos vai, mais uma vez, (emprestar), um poucochinho de sal para salgar a “puta e curta” da sardinha.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

FMI: GO HOME

Abril sempre! (II)


A autora da foto captou Abril. No seu quintal. Ela não sabe que o outro Abril foi capturado em Novembro. Nem tem de saber. A minha sobrinha só tem 14 anos. E esse outro Abril não vem nos seus manuais de História.

A Islândia tem um Abril desses. Que nos poderá roer de inveja. Ou, então, de incómodo pela nossa própria impotência.

O pai da Carolina opta pela ironia. Diz que gostava que ela fosse islandesa quando for grande.

Mas vale a pena comemorar Abril. E a melhor das maneiras será reivindicá-lo no próximo dia 5 de Junho.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mainada!!!

O negócio da China!!!!!


O charlatão-mor Oliveira e Costa diz que perdeu 275 mil euros no negócio de acções que fez com Cavaco Silva. Até aqui nada de mais, quem é burro é burro, ou então…
Agora parece-me do arco da velha que o brilhante economista que tem liderado o país não se tenha apercebido que estava perante uma vigarice de todo o tamanho.
Mas pronto, é preciso nascer duas vezes para se ser mais honesto que a avantesma.
Aqui a notícia.

14 de Abril, dia da Juventude angolana



José Mendes de Carvalho, o comandante Hoji-ia-Henda

terça-feira, 12 de abril de 2011

Embusteiros e trastes

Augusto Alberto

10 Abril foi um péssimo dia para os adeptos que deram o seu voto a um português que dá pelo nome de baptismo de Fernando Nobre. Fernando Nobre colocou-se em definitivo ao nível de um embusteiro e de um traste. Vem na esteira de embusteiros como Otelo Saraiva de Carvalho, Lurdes Pintassilgo ou Manuel Alegre. Fernando Nobre sabe o que quer e os que com ele estão, também. Nobre, o homem que nunca deu um passo para mudar fosse o que fosse, mas sempre deu muitos para fazer a caridadezinha, muito ao gosto de certos sujeitos, recrutou muitos milhares que acreditaram no homem que se dizia lavado pela cidadania. Mas o que quer afinal o homem honrado e limpo? Muito simples, chegar a Presidente da República. E como? Usando as máquinas partidárias dos partidos de direita que reiteradamente abjurou durante a última campanha eleitoral para a Presidência da República.

Tão simples. Dir-se-á, afinal, que o homem tem um ego que incha para lá das paredes da A.M.I. Engano! O homem mostra ter um preço e como a direita sabe bem o que quer, às vezes até compra ou retribui. Nobre talvez tenha a justa retribuição pela ajuda que deu a eleger Cavaco, na esperança de que os aparelhos que elegeram aquele o elejam a ele dentro de 5 anos. Esquecendo as suas preocupações sociais, contribuirá em definitivo para que o ultraliberalismo venha a tornar os cidadãos mais pobres. Nesse momento, esquecerá por ventura a caridadezinha, e tornar-se-á um homem calculista, pequeno e risível.

Mas também no sábado, o poeta Manuel Alegre, de quem se diz ter sido sempre o “enfant terrible” dentro do P.S., mostrou o que vale. Depois de há muitos anos se ter tornado amigo de Carlucci e de com ele ter conspirado, agora, depois de umas quantas rábulas patrióticas e de esquerda, que chegaram para enganar também muito boa gente, inclusive uns tipos que se dizem da novíssima esquerda, mostra de que massa é feito. Um aparelhista e carreirista. Afinal o homem que ameaçou cindir o P.S., vai integrar a comissão política nacional convidado pelo presidente, José Sócrates. Afinal, tudo está bem, quando as peças se ajustam nos seus lugares. Por isso Povo, é bem certo o que diz o ditado, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. Que o diga aquele cidadão, desiludido com a única vez que desceu do Porto a Lisboa, para apoiar uma causa. A de Fernando Nobre a Presidente da Republica. Entretanto é preciso continuar a dizer. Esta gente nunca se engana. Quem se tem enganado são os muitos milhares de portugueses que aos trauliteiros e embusteiros tem dado os seus votos.

Abril sempre! (I)

Apesar de tudo, das esperanças que Abril pariu não se terem cumprido, dos vampiros do "antes" se terem novamente acomodado no poder, do FMI cá chegar hoje, de isto estar como está, faz todo o sentido comemorar Abril.
E comemorá-lo é querê-lo, novamente, de volta. É exigir que ele torne.
No dia 5 de Junho há uma oportunidade para isso. Para festejar e não para nos queixarmos depois.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os "mercados" na óptica do povo islandês

cartoon de F. Campos

Enquanto os portugueses se preparam para ajudar os “mercados”, pois amanhã desembarcará o “femi” na capital para tratar dos respectivos considerandos, os islandeses cansaram-se de os sustentar. Disseram taxativamente que não toleram mais chulice.
Ou, como diz Fernando Campos, os islandeses “não dão mais sangue a vampiros.”
Acho bem que os governos e os banqueiros culpados pela situação sejam responsabilizados.
Os portugueses só faziam bem em seguir o exemplo dos islandeses.

domingo, 10 de abril de 2011

Quando as peças se encaixam

Tal e qual como um puzzle. Quando as peças se encaixam fica tudo mais fácil de entender. Pelo menos para a maior parte das pessoas, aquelas que andam sempre distraídas. Porque, o facto de Manuel Alegre ir integrar a confraria política nacional do partido neo-liberal que agora finda a comissão de serviço e o ex-candidato Fernando Nobre, aquele que um dia viu uma galinha a fazer não sei bem o quê, integrar as listas do partido que irá, pelo menos acreditando na alternãncia que os sacrossantos mercados permitem, iniciar a tal comissão de serviço e defender os interesses dos ditos não é admiração nenhuma.
Tudo em seu sítio, como é bom de ver. Nada de novo.

sábado, 9 de abril de 2011

Os marginais

Augusto Alberto


Há cerca de vinte anos, na Figueira da Foz, não numa sala do Casino, mas numa salinha bem perto, assisti a uma conferência cujo tema central era a pobreza. Ou como a repartição da riqueza, à época, já estava em escarpadíssimo desequilíbrio. Foi conferencista, o jornalista César Príncipe, um príncipe do jornalismo, do ainda Jornal de Noticias do Porto.
Antes de ir mais adiante, quero desde já deixar aqui uma pequena nota de interesse. Afinal nem só na magnífica sala do Casino da cidade se fazem grandes conferências, nem sequer é preciso que se chame para a moderação augusta jornalista. Sobre propriamente a conferência, quero aqui registar uma cabal boutade, que ao cabo de 20 anos, ainda se mantém vivíssima, ou actualíssima. Ao correr da conversa, César Príncipe aproveitou para classificar a marginalidade, que nunca deixou de nos atormentar, com a seguinte escala de grandeza: “Há os marginais de 1 estrela, até aos marginais de 5 estrelas”. E explicou. O marginal de 1 estrela, bem pode ser, digo eu agora, um daqueles que ainda outro dia vi em Lisboa, com o cartão a guardar o canto que sobra de uma montra de uma loja “armani”, por exemplo e que entretanto aproveita o vagar do tempo para uma sopa dos pobres, ou um banho e barba feita num dos balneários públicos da capital. O de 5 estrelas pode ser alguém que compra naquela loja “armani”, que o marginal de 1 estrela tem marcado para a noite, com um papelão, como por exemplo, José Sócrates. Se dúvidas houver quanto à previsibilidade de tamanha boutade de César Príncipe, relembre-se a posse, camisinha imaculada e gravata a condizer, com que Sócrates apareceu nas TV’s na noite do anúncio da degola dos pobres, ou se quisermos, dos marginais de 1, 2 e 3 estrelas. – “Oh Luís vê lá como é que fico ao olhar para os…assim fica melhor?”. Se eu fosse o Luís do cenário e da imagem, responderia de supetão. “Fica sim, fica bem meu marginal de 5 estrelas”. César Príncipe acertou em cheio na sistematização da marginalidade e quanto às estrelas que cabem a cada marginal. Sócrates recebe 5. Mas também os banqueiros que o utilizaram para nos chuparem, que depois de o utilizar, atiraram-no, como se atiram os ossos, para a cremação. Estratégia limpa, muito em voga por colonialistas, que depois de usarem, por exemplo, um “preto”, para chupar até ao tutano, logo que acabasse o tutano e chegasse o osso, logo outro “preto” tiravam da cartola para dar continuidade à sofreguidão.
Cá fico para ver, que marginal de 5 estrelas os marginais de 5 estrelas dos banqueiros vão acabar por eleger no dia 5 de Junho, no ano desta nossa desgraça de 2011. E se o marginal de 5 estrelas, Sócrates, acabar a ser eleito ainda e mais uma vez, o marginal de 5 estrelas? Então os marginais de 5 estrelas dos banqueiros por uma vez fizeram mal as contas, e acharão que aquele outro marginal de 5 estrelas, com carinha de menino chorão, não merece a roupinha de 5 estrelas. Sabe-se lá!
Como foi certeiro César Príncipe, porque estas histórias que metem marginais de 5 estrelas e pretos pelo meio, nunca acabam bem para os marginais de uma, duas e três estrelas.

O FMI e as favas contadas

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Monsieur Tricheur



Ao afirmar que o estado português foi obrigado a pedir “ajuda” o escroque que preside ao Banco Central Europeu, ou lá o que isso possa ser, não terá sido ingénuo. Inoportuno talvez, mas com razões que não consegui perscrutar.

Mas por outro lado lembrei-me porque é que a pouca vergonha já não tem limites. Pensam que têm todo o poder na mão, que têm mesmo estados inteiros no bolso. Eles já devem saber quem têm a governar os estados em quem querem por a pata. Sabem também com que aliados contam nesses estados. Aqueles para quem o patriotismo é um conceito antiquado, por exemplo, e para não ir mais longe.

Segundo as últimas sondagens em Portugal, o FMI, ou o capitalismo internacional e fascizante, ou imperialismo, ou os mercados financeiros, ou a puta que os pariu, ou lá como os queiram chamar, pois eles agora travestem-se de qualquer maneira, obtêm a primeira e a segunda posição, ou seja, mais de setenta por cento dos votos expressos vão para os seus fiéis servidores. Já temos menos de dois meses para alterar a situação.

Jean Claude “Tricheur” é de uma velha escola. Há uns anos foi a julgamento por fraude num dos maiores bancos franceses. Foi absolvido, o que não admira. Preside agora a uma entidade auto-denominada, ou mesmo denominada, Banco Central Europeu.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Os descamisados

Augusto Alberto

Falar de futebol, em regra, é dar uso à irracionalidade. Mas, para os devidos efeitos, apetece-me falar das eleições para a direcção do Sporting Clube de Portugal, de um modo que não compagina com a visão ardente com que se avalia o futebol. Vendo as imagens da tumultuosa madrugada, na ressaca dos resultados eleitorais, fiquei com a sensação de que aquele clube padece de séria doença, ainda que o remédio para a atalhar, esteja contudo ali à mão.

As imagens vistas fazem-me lembrar um tempo em que na Argentina, carregada de populismo, medrava um movimento, estruturado e ideológico, que seguia Evita e que dava pelo nome de “os descamisados”. Hoje, dando as óbvias distâncias relativamente aos operários vexados da Argentina, a quem se destina a semântica, os que aclamam Bruno de Carvalho, que se diz vítima de uma usurpação, é pelo contrário, gente perigosa, que à míngua de alegrias, se coloca numa espécie de orfandade e limbo, que suporta o lastro que lhes permite todo o tipo de bravata e arruaça. Bruno de Carvalho, que arrecadou simpatia e se acha roubado por um aparelho bem dirigido e montado, tem todo o direito de contestar judicialmente o resultado eleitoral, mas em todo o caso, melhor seria que tivesse a coragem de se afastar publicamente daquela turbamulta, a não ser que também tenha medrado ali, porque aquele pessoal não conhece o dono, apesar de o ter seguramente, e age segundo movimentos sincopados de uma matilha. Bruno de Carvalho deveria lembrar-se do velho ditado que diz: - quem com ferros mata, com ferros morre. Às suas primeiras dificuldades, os “descamisados” de Alvalade, em uníssono, virar-se-ão contra o candidato que procura ter ali uma espécie de exército fiel, para tentar contrariar a azia que resultou de uma putativa usurpação. Seria bom, por exemplo, que Luís Duque dissesse como teve de recuar quando se propôs contratar José Mourinho, ou Paulo Bento das razões que contribuíram decisivamente para a sua saída do clube. Evidentemente que aquele pessoal, em rede com o que de pior enche alguns estádios da Europa, infiltrados por movimentos da suástica, só não acaba neste pobre país, porque tanto o poder desportivo como o politico, sobretudo este, lhe acha algum préstimo. Que não se duvide, no momento em que o poder político se vir desengonçado e acossado, aquela matilha será atiçada contra quem vai reclamar simplesmente por dignidade. Na Grécia, no auge do descontentamento, que não pára de se fazer ouvir, lá estava a polícia, em estruturado conúbio, para gizar a violência sobre quem unicamente reclamava pão. Este não é um mundo para distraídos, nem para anjinhos. É o mundo dos que tem centros bem estruturados e com bem oleada máquina de propaganda, com um único sentido, levar-nos a comer o pão que o diabo amassou.
Lamento que o Sporting Clube de Portugal, que formou atletas que muitas vezes fizeram que uma lágrima nos rolasse pela pele, esteja preso de gente, que a não ser combatida, fará fracassar em definitivo o clube, sem o menor pingo de remorsos. Porque ali está, não uma estratégia de amor, mas uma estratégia para aterrorizar quem quer que passe, por ali, por Alvalade, ou por uma qualquer avenida.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um vintage ao luar

foto: alex campos

Além dos méritos desportivos do F. C. do Porto, há a realçar ainda uma excentricidade. Refiro-me à forma, percursora diria, de festejar: ao luar.
E com uns chafarizes que, se conseguissemos vislumbrar, diria ainda que nos fariam lembrar os majestosos jardins de Luis XV. Ou XVI. Ou um deles.
Verdade seja dita, a ideia, genial diga-se, nem foi dos "dragões". Ficam a dever essa aos  benfiquistas.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Carta de Inglaterra

Augusto Alberto
David Cameron, levemente perturbado, perguntou a si mesmo, o que fazer? De tanto matutar, achou a resposta. Após uma ligeira palmada na testa, viu para lá do momento e exclamou:.” É o petróleo, bruto. É o petróleo!” E então decidiu avançar. Mandou a aviação, porque pelo ar os efeitos sobre as suas forças armadas são aparentemente nulos, não fossem os britânicos apeados regressarem envoltos na mortalha e os reais súbditos perguntarem porquê. Cameron esquece o que lhe fez de ignominia o seu antecessor trabalhista, Gordon Brown, e só por isso, merece tratamento ignominioso, mas sabe-lhe bem uma batalha, que não seja apeada com certeza, contra os infiéis, que creio, lhe recusam o petróleo fácil e dócil.

Desse modo, se bem pensou, bem mandou executar nova cruzada contra renitentes mouros e castanhos. Queira Maomé que a coisa não descambe, sob pena da rua lhe sair às canelas. Mas se há uma nova cruzada, que outras houveram? Como sou ao mesmo tempo velho e novo, vou socorrer-me de um português culto, cosmopolita, informado e certeiro: Eça de Queiroz, que escreveu nas crónicas de Inglaterra, o que se segue: …quando Arabi quis modificar este systema, que convertia o povo egypcio numa horda de servos trabalhando para os financeiros de Pariz e Londres – as esquadras de França e Inglaterra appareceram logo, pedindo o desterro de Arabi, e o licenciamento do exército…Sir Beauchamp Seymour mandou este ultimatum: - dentro de vinte e quatro horas os fortes deveriam ser entregues às tropas inglezas ou toda a linha de couraçados abriria fogo sobre Alexandria. Beauchamp Seymour bombardeou, arrasou, repelliu virtualmente dÁlexandria… – e, depois ficou a bordo do seu couraçado, vendo tranquilamente arder, deante de si, uma das mais ricas cidades do Mediterrâneo…por outro lado, a quem aproveitava o incêndio? À Inglaterra. O pretexto de que os fortes punham em perigo os couraçados britannicos, só autorizava perante os escrúpulos da Europa, a destruir os fortes, não a ocupar a cidade. Agora, porém, que ella estava em chamas, abandonada á anarchia, á pilhagem…-agora ella tinha o direito – mais, ella tinha o dever! - de desembarcar e ir salvar de uma total aniquilação tanta riqueza, tão esplêndido centro de commercio…Generosa Inglaterra!
Cá está como a velha Grã Bretanha tem parido ao longo da história, do mesmo passo, politicas repugnantes e gente ignominiosa. Sir Seymour, o Almirante da poderosa armada real, naturalmente não iria imaginar, que a pátria de sua majestade viesse a produzir mais gente, mais de cem anos adiante, como estes Tony Blair ou Cameron, pessoas tão miseráveis e detestáveis como ele, mas a verdade ai está. Mais a verdade de que a Organização das Nações Unidas tem sido ao longo destes miseráveis anos, de triste fado, uma peça às mãos de todos os que nunca deixaram de ver o mundo segundo o modelo colonial, e dos seus reais interesses, como tão bem vem dizendo o prémio “Nobel da paz”, que parece que a única coisa que consegue fazer é a guerra, e a sua ministra dos estrangeiros, aquela detestável senhora, que nunca escolheu para parceiros outras personalidades que não fossem miseráveis e cruéis senhores. Miserável democracia, que varre para debaixo do tapete tamanhos amigos, como se todos fossemos parvos e não dessemos pela habilidade.