sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As conferências do casino (para totós)

O perigo é pensarmos que eles são os donos de verdades absolutas, quando não passam de gentalha muito mal intencionada.
Sempre pensei que os funcionários públicos ganham o seu ordenado à custa do seu trabalho; que os reformados, sejam públicos ou privados, têm direito à sua reforma porque a ganharam e descontaram para tal; que os desempregados têm direito ao subsídio a partir do momento que não lhes garantem trabalho, e porque, é muito importante compreender isto, enquanto trabalhadores fizeram os seus descontos, pagaram os seus impostos.
Agora, o que não suporto é ouvir qualquer xico-esperto e lambe-botas do poder económico actual perguntar quanto custa o estado social e que a gente atrás citada vive a expensas do estado. O estado social é suportado por quem trabalha, por quem realmente produz. 
Em vez de perguntarem quanto custa o estado social poderiam tentar responder para onde vai o dinheirinho dos impostos. Dos impostos de quem trabalha, obviamente. Isso sim, era uma boa resposta. Mas nem sequer tentam responder. Pudera.
O problema da sustentabilidade do estado é insolúvel? Não, não é se se acabar com as classes ociosas, as que nada produzem e tudo comem.
Lembrei-me disto derivado do “materialismo místico”, uma espécie totalmente desconhecida até agora.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

António Jacinto, ou a poesia necessária

Co-fundador, nos anos 50, com António Cardoso, Mário de Andrade e Viriato da Cruz, entre outros, do “Movimento dos Novos Intelectuais Angolanos”, um movimento que abriu novos rumos à literatura angolana.
Com Mário António, Viriato da Cruz e Ilídio Machado fundou o Partido Comunista Angolano, que teve uma existência efémera, diluindo-se pouco depois na formação do MPLA, do qual António Jacinto viria a ser um destacado dirigente.
Nacionalista, passou quase 12 anos no Tarrafal, em Cabo Verde. Foi lá, como António Cardoso ou Luandino Vieira, que escreveu uma boa parte da sua obra literária.
A sua poesia, grande parte dela, é uma poesia de revolta. Assumidamente marcada por Langston Hughes. Eram tempos exigentes que assim o determinavam. Lutava-se pela independência, contra um regime colonial de matiz fascista.
António Jacinto, numa entrevista a Michel Laban, em 1988:
“Nos anos 50, quando começámos o tal movimento dos Novos Intelectuais, de romper com a tradição – já não vamos dizer portuguesa, mas a tradição da literatura que se fazia -, foi fácil, muito fácil para mim, enveredar por aquele caminho: eram realidades que eu conhecia muito bem… Eu conheci a vida dos contratados, conhecia a situação dos camponeses no interior, de modos que não houve necessidade nem de fazer pesquisa, nem de fantasiar: era a pura realidade que conhecia”.
Após a independência, António Jacinto foi ministro da Cultura entre 1975 e 1978.
Com um lugar destacado nas letras do seu país, aquele, como outros, que se transformou num grande poeta, utilizou, de início, a poesia para passar a mensagem necessária, pois era o meio mais acessível. Como contista usou o pseudónimo de Orlando Távora e foi, também, um nome destacado da geração “Mensagem”.
Ainda o poeta, a Michel Laban:
(…) já eram mais posições políticas do que verdadeiramente literárias. Até porque, na altura, eu e outros nos considerávamos escritores muito medíocres, poetas medíocres, mesmo principiantes… O que era preciso era dar uma mensagem política. Os meios? O que era acessível era a poesia: então, pois, seria a poesia. Se houvesse outra possibilidade seria outra… (…).
Autor de alguns poemas célebres como “Carta de um contratado”, “Bailarina Negra”, “Canto interior de uma noite fantástica” ou “Poema da alienação”, ficou famoso o poema “Monangambé”, interpretado pela inconfundível voz de Rui Mingas, que podemos ouvir já a seguir. 
António Jacinto do Amaral Martins, falecido em 23 de Junho de 1991 em Lisboa está sepultado em Luanda.
Nasceu em 28 de Setembro de 1924. Faria hoje 87 anos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Os padres de Lisboa

Augusto Alberto

O senhor padre de Lisboa, disse aquilo que disseram há muitos anos os anteriores padres de Lisboa. O padre Salazar, o padre Cerejeira ou o padre António Ribeiro. Continua a haver uma massa pegajosa e atávica lá para os lados do patriarcado, que nos quer continuar a convencer de que a pátria não se discute, porque a função dos portugueses, não é dizer mal dos governos. Porque se a pátria se discutir, o Cardeal de Lisboa, deverá sugerir primeiro:  que se apurem responsabilidades quanto a quem atirou a pátria para este estado e que de seguida se julguem os responsáveis, para logo, em plena consciência, podermos ajudar na recuperação da nação.

Mas isso será pedir demais ao senhor cardeal, porque nesta coisa do linchamento dos portugueses está muita gente que se passeou de braço dado com os padres, os bispos e o próprio cardeal. Olhai os amigos do Cavaco e perguntemos se algum deixou de passar pelas pias de água benta. Aliás, nem sei para que é esta rábula, porque a igreja passa bem com os pobres, porque estando bem alinhados dentro do redil, são o seu sustento.
O senhor cardeal também generalizou e não foi pouco. Se estivesse sereno e na posse de todas as faculdades, deveria saber que muita gente que passou pela política não sai de mãos limpas, é um facto. Mas de todo o modo, não foi só na política, também na igreja de que o senhor cardeal é um dos mais ilustres representantes. Saibamos que gente muito católica saiu destroçada das más relações com o mundo da finança, e em conúbio com o que de pior se fez no campo da repressão sobre os povos, aqui e em muitas outras bandas. E em matéria de sujidade, o que nos conta, é só a tentativa de colocar toda a gente no mesmo saco, na vã tentativa de branquear quem conspurcou muitas vidas. Pode ser um bom exercício de escape, mas não apaga as responsabilidades e os dramas. Anda por ai muita gente paramentada e de mitra, que ainda hoje traz não só as notas coladas aos dedos e as mãos sujas, como também a braguilha, num soberbo pecado capital, que deverá terminar não nos desígnios do inferno, mas com as costas na cadeia, porque sendo coisas cá da terra, é na terra que o ajuste deverá de ser feito.
Senhor padre, pede-se-lhe que não capitule. Mas se não tiver coragem, então que se dedique as coisas da alma e deixe para os outros as coisas terrenas, que são coisas bem mais difíceis de sondar, resolver e mudar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Angola: prata no Remo

Heráclito Guimarães, ex-remador do Ginásio CF, clube em que foi treinado por Augusto Alberto, conseguiu a medalha de prata no campeonato Africano Sub Sahariano/Regata Internacional de Douala, que se realizou nos Camarões.
O angolano, que competiu em skiff absoluto, ficou a um segundo do atleta da casa, que tem no curriculum a participação nas olimpíadas de 2008 em Pequim.
O remo angolano prova assim que tem grandes possibilidades de desenvolvimento e sonha com uma presença em Londres.

(Na imagem: André Matias e Heráclito Guimarães, na III Taça do Mundo, em Lucerna, Suiça)

sábado, 24 de setembro de 2011

O país que cabe numa lata

Augusto Alberto

O que têm de comum Vaggelis Petrakis, o comerciante arruinado originário da ilha de Creta, que se suicidou debaixo de uma oliveira, com um tiro de caçadeira, ou o outro pequeno comerciante grego, que, sem meios para saldar dívidas e viver com decência, deslumbrou na imolação o fim para as suas angústias, e aqueles dois irmãos portugueses, que despejados e a viverem na rua há um ano, decidiram também acabar com a vida na frente de um comboio rápido, que passava pela estação de Paços d’Arcos?
O que tem de comum, então, gente assim tão triste? Serem cidadãos de países que para qualificar as suas elites não chegam todos os adjectivos do mundo. Pela Lusitânia, sabemos que foi montado um complexo mecanismo, económico, social, psicológico, político, jurídico e cultural, que permite às elites saírem sempre a sorrir, mesmo dos feitos mais macabros.
Elites que desde há muito treinaram o seu povo para o uso de um conjunto de habilidades que permitem que se vegete em vez de se celebrar a vida.
Desde logo, o duplo e o triplo emprego, porque o rendimento do principal trabalho não chega. A fuga aos impostos, como regra. O artifício de receber uma ajuda social e ao mesmo tempo fazer uma caroca, para compensar o fraco rendimento. O uso da velha fórmula de partir uma sardinha em dois, ou agora, a habilidade, muito em moda, de dar passos até uma instituição de caridade, onde se arranja o pobre cabaz que há-de dar para a semana. Ou a inveja, que celebra o egoísmo e o paroxismo de haver sempre muita gente à espera que alguém se mexa para resolver problemas que são de todos. Povo, de tão treinado, está como peixe na água no uso da manha. Que prefere viver de expedientes, a mobilizar-se para mudar para um país em que a riqueza seja mais bem distribuída e os bens sociais sejam um bem de todos.
Sugiro a leitura do romance histórico O império dos pardais, para percebermos como o país de quinhentos, não difere muito do Portugal de 2011. Já vão quinhentos anos! O medo da mudança é canalha, e de tão canalha, vai permitindo que a elite passe como raposa por vinha vindimada, como se não houvesse limites ao desbragamento, enquanto o povo, que vive de truques, não percebe que não passa de capacho, onde pisa a elite, que rebola e se sente muito confortável num mundo cinzelado à sua medida.
Elites de merda. Puxa sacos! Fancaria! Para o país que cabe numa lata.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cai a máscara

Uma das mais nítidas opções de classe. Depois do estado em que está a Grécia, do estado em que vai ficar Portugal e outros países, depois da perda de direitos inalienáveis de quem trabalha, já só falta mesmo proíbirem os sindicatos e ilegalizarem os partidos de esquerda. 
Estamos perante um recuo civilizacional, ou seja, um verdadeiro triunfo dos porcos.
Como o meu camarada Vilarigues, também pergunto: Vão-me prender?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Porque é necessário

Porque é um imperativo de consciência lutarmos pelos nossos direitos. 
Fundamentais e inalienáveis.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vai à merda Kadafi, aguenta-te e conta-nos histórias de concubinas

Augusto Alberto

Que importa o punhal na concubinagem com Kadafi, que agora resfolga pelo deserto vidas e estruturas, desde que os oleodutos sem mantenham intactos? Liberdade e democracia são solfejo, mas os factos correm a favor do senador Ed Markey: “nós estamos na Líbia pelo petróleo”. E por ele correram, também, a Tripoli, David e Sarkozy.

Agora que a lavagem ideológica fez uma pausa, quero aqui lembrar que a 11 de Setembro de 1973, deu-se mais um passo no aprisionamento das Américas, com nova parcela da Operação Condor.
11 de Setembro de 1973 foi o fim sangrento da democracia no Chile. Pouco antes, os Estados Unidos lançaram as suas reservas de cobre no mercado mundial, fazendo com que caísse rápida e drasticamente o preço do principal produto chileno de exportação. Dificilmente as reformas sociais de Allende teriam sucesso. Ficou uma, muito feliz. Fez com que todas as crianças chilenas recebessem gratuitamente meio litro de leite, todos os dias, até aos oito anos de idade, porque, até então, lambiam, só, o ranho que lhes escorria do nariz.

Bateram-se tachos e panelas. Financiados pelos Estados Unidos, pararam os camiões e o jornal oposicionista El Mercúrio conspirou. A tenebrosa 4ª frota fundeou frente a Valparaiso, e o golpe foi rápido e violento, com o bombardeamento aéreo do Palácio de La Moneda, com precisão cirúrgica, por um grupo de acrobatas aéreos norte-americanos, que foram ao Chile na operação UNITAS, sob o pretexto de montar um espectáculo aéreo, no dia da Independência Nacional, 18 Setembro. Morreram milhares em todo o Chile e já se sabia, como se comprova, quem iria bombardear o Palácio de La Moneda e que democracia estava lá dentro.
Nixon e Pinochet morreram, mas ainda andam por ai Carlluci e Kissinger. Se Setembro é mês azarado, então declare a ONU, Setembro, como mês Internacional contra a gula e cobiça, porque em Setembro de 2011, os aviões da NATO continuam a matar por causa do petróleo. Peça a ONU ao TPI, o tribunal que só caça perdedores, que julgue, Carlluci e Kissinger, Cameron, Sarkozy e Obama, também o seu secretário-geral, Ban-Ki – Moon, como colaboracionista.
Heinrich Böll, prémio Nobel de Literatura de 1972, perguntou em 1973: “quem foi libertado de quê através desse golpe? a legalidade foi rompida… e a queima de livros foi declarada como virtude”.
Como é tão actual!

domingo, 18 de setembro de 2011

Cuba e o relatório da UNICEF





"Hoje, mais de 140 milhões de crianças espalhadas um pouco por todo o mundo, irão deitar-se com fome.
Nenhuma delas é cubana".


"Esta noite milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo.
Nenhuma delas é cubana".


São afirmações do Comandante Fidel Castro. Com bom senso acredita-se que a Revolução não resolveu, ainda, todos os problemas. Mas procura resolvê-los, e não inventar outros
Interpretando bem os relatórios da UNICEF, e se estivermos de boa fé, chega-se facilmente a essa mesma conclusão. Imaginemos, então, Cuba sem o anacrónico boicote, cujo tem razões muito duvidosas, e nada humanistas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Agostinho Neto, por Mário Viegas

Apesar de tudo, não é mau de todo ter duas pátrias. Portanto, aí estão dois valorosos compatriotas meus. Um a ler um poema de outro.
Um muito obrigado aos dois. Só porque nos fazem sentir grandes.


Não me peças sorrisos

Não me exijas glórias
que ainda transpiro
os ais
dos feridos nas batalhas

Não me exijas glórias
que eu sou o soldado desconhecido
da Humanidade

As honras cabem aos generais

A minha glória
é tudo o que padeço
e que sofri
os meus sorrisos
tudo o que chorei

Nem sorrisos nem glória

Apenas um rosto duro
de quem constrói a estrada
por que há-de caminhar
pedra após pedra
em terrreno difícil

Um rosto triste
pelo tanto esforço perdido
- o esforço dos tenazes que se cansam
à tarde
depois do trabalho

Uma cabeça sem louros
porque não me encontro por ora
no catálogo das glórias humanas

Não me descobri na vida
e selvas desbravadas
escondem os caminhos
por que hei-de passar

Mas hei-de encontrá-los
e segui-los
seja qual for o preço

Então
num novo catálogo
mostrar-te-ei o meu rosto
coroado de ramos de palmeira

E terei para ti
os sorrisos que me pedes.

                                                   (1949)




Hoje, aniversário do nascimento de António Agostinho Neto, comemora-se, em Angola, o Dia do Herói Nacional.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os períodos da arte

Que na pintura, os artistas, mediante as cores utilizadas, ou mesmo os temas desenvencilhados, atravessam  períodos distintos, não é novidade nenhuma. Tão definidos que têm mesmo um nome que os caracteriza. De Pablo Picasso, por exemplo, são conhecidíssimos os períodos rosa, azul ou africano.
O que eu não sabia é que os cartoonistas também.
Fernando Campos, por exemplo, está a passar pelo período “rosé”, "c'est à dire" um período que não é tinto nem é branco.
E, embora até rime, será errado, apesar das tonalidades, chamar período monhé.
O próprio explica aqui, bem explicadinho.

Na imagem: Les demoiselles d' Avignon, de Pablo Picasso, do seu período africano.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Tiro ao álv(ar)o

Augusto Alberto

O Álvaro tem a mania que é um trota mundos e um sabido, lá porque deu aulas no Canadá. Convencido, vai-lhe dando para a asneira. Explicou que tem uma proposta que está ao nível do que de melhor se faz no mundo, mas que, em boa verdade, não passa de uma proposta canalha, porque o que o Álvaro quer é acabar com a indemnização por despedimento. Se eu estivesse ainda no activo, não admitia que fosse obrigado a fazer um plano poupança. Além de ser um abuso, quem garante que as coisas terão um fim certo? Que garantias temos que não vamos ser, mais uma vez e sempre, roubados? Nenhumas! Porque ladrão que rouba uma vez, rouba um cento.

Porque as imagens de Londres fizeram arrepiar a espinha a muito boa gente,
não foi por acaso que aquele que já foi um patrão dos patrões, o Chico Vanzeller, numa entrevista a uma rádio nacional, disse: se os portugueses não descerem a rua e fizerem umas greves, é porque são uns molengões. Aparentemente o Chico Vanzeller anda contraditório e parece, então, estar a atirar gasolina para a fogueira. Mas o Chico Vanzeller, que é do clube Bilderberg, é fino e já leu, certamente, “O que fazer?”, de Vladimir Ilich, só está a sugerir que é necessário que alguém pare de imediato com esta vertigem, que só pode acabar com a rua a cheirar a queimado. Nem ele próprio acredita na gente em quem votou e, por isso, avisado e com prudência de classe, deseja que a rua aja de modo prudente, enquanto é tempo. Evidentemente, o Chico dirigiu-se a pessoas em concreto. Também o dirigente e deputado socialista Eduardo Cabrita, numa crónica num jornal nacional. Aliás, Pacheco Pereira, coirão velho e avisado, já o tinha feito há muito mais tempo. E o professor Marcelo, também acha que os comunistas são capazes de tirar a gasolina da rua. Pois é! A esses borrados, será bom dizer, que de facto, um dia a porca pode torcer o rabo. Essa ideia, que parece ir fazendo escola, de que os comunistas são bons a tirar as castanhas do lume, para logo de seguida as entregar aos mesmos de sempre, sem outro tipo de consequências, tem perigos.
Por isso, admitindo que o Chico Vanzeller é um tipo avisado, porque leu bem “O que fazer?”, sempre vos digo, então, que o melhor é começar a fazer desde já, tiro ao álv(ar)o.
Que se vá, trotando e cavalgando sobre o mundo que o ensinou a ser mais um patife. E que nos deixe em paz.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Miss Universo é angolana

Chama-se Leila Lopes, e tem 25 anos, como podem ler aqui.
Valha-nos ao menos isso. O que se passa, passa-se mesmo numa terra de mulheres bonitas.
Mainada, prontos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O xerife de Nottingham

Augusto Alberto

Alguém me disse que se está a preparar uma nova saga das aventuras de Robin dos Bosques. Desta feita, santa glória, os artistas são maioritariamente portugueses e a fita será rodada nos velhinhos estúdios da Tobis, altar sagrado do cinema português. Parece que Cavaco Silva está em delírio, não por ter sido dada a honra de rodar o filme nos estúdios da Tobis, ao Lumiar, mas porque lhe agrada sobretudo uma cena, muito a seu gosto, que se diz capital e muito moderna. A do xerife de Nottingham, refastelado nos seus aposentos, a fazer a leitura do “ O Capital”, para melhor perceber como um pulha pode roubar melhor os pobres para dar aos ricos.

Eu que estava a pensar nessa possibilidade, ocorreu-me que em Braga as coisas aconteceram, durante três longos dias, mais ao menos como o guião do filme.
Uma sequela em que o novo xerife “socialista”, mais os acólitos, a boiada e os basbaques enredados na esperança de um partido novo, ou como disse o Alegre, sujeito sem músculo e incapaz de fazer o papel do rebenta cabeças do João Pequeno, que não seja visto como o 3º partido da direita portuguesa, estiveram de novo reunidos. E nas milongas de esquerda, a ensaiar o já visto roubo aos pobres em favor dos ricos.
E para que tudo fosse como o espírito da história, nem faltou por ali, vejam só, uma linda e apaixonada Maria de Belém, na pele da muitíssimo feminina e fraca donzela Marian, sempre muito indecisa entre o amor ao Robin dos pobres e o fausto do Xerife. Foi, sem dúvida, um santo e augusto conclave.
Vistas as coisas assim, digo-vos que, em termos absolutos e reais, a democracia a que se assiste, é sem dúvida o melhor modo de proteger e enriquecer os ricos, desprotegendo e empobrecendo simultaneamente os pobres. E para que tudo decorra segundo as necessidades, só falta dizer que o anticomunismo é o seu sal e a sua pimenta.

domingo, 11 de setembro de 2011

Santiago, 11 de Setembro de 1973 (II)

"Continuem a saber que mais cedo que tarde abrir-se-ão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile, viva o povo, vivam os trabalhadores".

Últimas palavras de Salvador Allende transmitidas pela Rádio Magallanes

Santiago, 11 de Setembro de 1973

Um dos muitos horrendos crimes do imperialismo. O derrube de um regime democrático e democráticamente eleito para instituir uma ditadura sangrenta e o início da aplicação prática do neo-liberalismo. Tanto que o seu autor, Milton Friedman, foi conselheiro do assassino August Pinochet.
Mortos foram mais de 30 mil pessoas. A implosão das torres, outra das artes do imperialismo, não causou tanto, dez vezes menos.
Mediáticas são a torres, não se consegue sintonizar uma televisão sem se ouvir falar de tal. Os objectivos são precisos. Será estratégia para esconder outros actos iguais ou parecidos com o de Santiago. Como aconteceu, ainda não há um ano, nas Honduras, onde foi derrubado um governo democrático e democraticamente eleito. E que não sei quantas vitímas causou. Também não terei meio de saber, a comunicação social está toda muito bem controlada, como se sabe.
A minha homenagem a Salvador Allende e a todos os que perderam  a vida porque acreditaram num mundo melhor.

sábado, 10 de setembro de 2011

Faleceu Elísio Godinho


Histórico atleta e dirigente do Ginásio Clube Figueirense, e do associativismo, acabamos de receber a notícia do falecimento de Elísio dos Santos Godinho.
Nos últimos anos o senhor Godinho dedicava-se à investigação da história do seu clube de sempre.
Homem de Esquerda, foi sempre um "compagnon de route" do PCP, tendo sido candidato à junta da sua freguesia, Buarcos, onde aliás trabalhou na Cimpor, no Cabo Mondego, e, por diversas vezes candidato à Assembleia Municipal da Figueira da Foz nas listas da CDU.
É uma grande perda para a Figueira da Foz, que fica assim mais pobre.
À familia enlutada, ao Ginásio Clube Figueirense, aos figueirenses, os sentidos pêsames de "Aldeia Olímpica".

Dois figueirenses nos Jogos

Mesmo sem a obrigação do rigor informativo o “Aldeia Olímpica” cometeu uma gafe, neste post, para a qual não há desculpa. E não, porque estamos na fila da frente no que concerne à crítica por falta de rigor a que assistimos na comunicação social.
Fomos chamados à atenção por um comentário, infelizmente anónimo mas que não deixa de ser oportuno.
É que são dois os figueirenses com presença assegurada no evento olímpico do próximo ano. Além de Augusto Alberto (treinador) também o campeão europeu de Tiro, o navalista João Carlos Costa vai disputar os seus terceiros jogos.
E fazemos votos para que os jogos corram bem ao atleta navalista, uma vez que aí não tem sido feliz, pois não tem conseguido repetir as performances demonstradas em campeonatos do mundo, taças do mundo e europeus. O sétimo lugar nas olimpíadas de Sidney é pouco para a categoria evidenciada pelo atleta. O seu curriculum transforma-o num candidato às medalhas.
Embora o atirador tenha nascido em Luanda, reiteramos que a gafe não tem desculpa. Mas pedimo-la na mesma.
Fazendo votos para que Costa ultrapasse a malapata dos Jogos e não falhe nem um.


Na imagem: Augusto Alberto e João Costa, vistos por Fernando Campos

Congresso do PS ou o regresso do punho rendado (pormenores de reportagem)

Qualquer pormenor que se tenha em consideração terá como denominador comum a hipocrisia que sempre caracterizou os “socialistas”.
Vamos ao primeiro: depois de anos e anos de governação, de aumento de desemprego, de robalos, robaletes, de freeports e outras quejandices, eis que o seu lema no congresso bracarense é, nem mais nem menos, este: “As pessoas primeiro”. Convenhamos, é preciso muita lata.
O segundo pormenor poderá ser visto, ou apreciado, por um prisma estético: basta repararmos nos adornos do espaço do magno encontro: o símbolo usado já não é a rosinha, apesar da presidenta, mas sim o punho fechado, o que condiz com o “paleio” usado quando estão na “oposição”, sempre diferente de quando estão na “governação”.

Agora dizem-se de esquerda, ou à esquerda, e, de novo, erguem o tal “punho” que esqueceram, tentando uma vez mais convencer os incautos de que essa mudança está a acontecer, é real e verdadeira. O acto de mudar de símbolo de acordo com os interesses de sobrevivência política dos seus dirigentes é a demonstração cabal da matreirice política dos socialistas que parecem agora esquecer, de forma conveniente, de que estiveram no poder durante os últimos anos.
Tal como o seu grande líder espiritual que, aqui na Figueira da Foz há dois dias atrás, conseguiu contradizer o que foi toda a sua vida política e execrar tudo aquilo que defendeu e defende.
É obra!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Da política e da semântica, com ruído ou sem ruído

Entre o PSD e o PS nunca consegui vislumbrar qualquer diferença de conteúdo. Se bem que na forma poderá haver algumas, o produto final é igualzinho. A diferença será só estética, baseando-se na ausência e na presença da letra “D”, conforme o caso a considerar.
Lembrei-me do que se passa com a semântica, nem sei bem a que propósito. Por via de uma personagem de Mário de Carvalho, uma daquelas que ele tem o talento para inventar. Ou reinventar. A personagem dá pelo nome de Marques. E, numa discussão linguística, diz ele:
“- É que, sabem, não é por acaso que as palavras são como são. Vejam, por exemplo, a palavra gatuno e a palavra ladrão. Só aparentemente é que significam a mesma coisa, porque gatuno quer mais dizer o que se introduz a roubar subtilmente, sem ruído, pela sorrelfa, como o gato. Daí... gatuno, igual a gato + uno. Pelo contrário, o que rouba com ruído, com estardalhaço, procedendo como o cão que ladra, chama-se ladrão, que vem de ladrar + ão. Não, meus caros, o povo é sábio, nunca inventa palavras à toa. O povo é esperto.”
Daí que, de tão esperto, confunda o D. É que o D, dos dois PS's, é uma sorrelfa que só os estúpidos entendem.

Obras do mercado vão arrancar, se...

Se não houver contestação ao concurso as obras de remodelação do Mercado Municipal Engenheiro Silva poderão começar até ao final do ano, diz o vereador Carlos Monteiro, segundo se pode ler na imprensa regional.
Mas o presidente das Associação de Concessionários do Mercado está céptico quanto ao início das ditas obras, uma vez que além de não estarem orçamentadas também ainda ninguém viu o projecto.
Mas nada que nos espante.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Já há um figueirense em Londres/2012

Augusto Alberto, antigo treinador de remo da Associação Naval 1º Maio, do Ginásio Clube Figueirense e da selecção portuguesa de Remo, actualmente treinador de remo adaptado da Federação Portuguesa de Remo, vai estar presente nos próximos Jogos Paraolímpicos a realizar em Londres, no próximo ano, após qualificação, muito difícil, da sua atleta, Filomena Franco, obtida no recente campeonato do mundo da modalidade, realizado em Bled (Eslovénia).

Esta qualificação culminou um longo processo de preparação, que teve início logo após a participação nos Jogos Paraolímpicos de Pequim/08, os jogos em que o remo se tornou também modalidade paraolímpica.
Lograram garantir a qualificação, neste campeonato do mundo, os seguintes países: Ucrânia, França, Israel, Coreia do Sul, Brasil, Bielorrússia, Polónia e Portugal. Terão uma segunda e última oportunidade no próximo ano de 2012, países que este ano, apesar de competirem nas diferentes competições e ainda neste campeonato do mundo, na categoria de braços e espáduas, não lograram obter o apuramento: Reino Unido, pais organizador dos próximos jogos paraolímpicos, Rússia, Estados Unidos, Hungria, China, Japão e Itália.
Os parabéns do “Aldeia Olímpica” a Filomena Franco e ao seu técnico, também colaborador deste blogue.
E, já agora, se não for pedir muito, que venha uma medalhita.

sábado, 3 de setembro de 2011

A Festa do Avante! existirá mesmo?


Acabo de comprar o jornal de "referência"", propriedade do megamerceeiro e, surpresas das surpresas, nem uma linha sobre o maior evento político e cultural do país. 
Lá terei de rever os meus conhecimentos sobre jornalismo. Devem estar desactualizados. Ou então terei mesmo uma imaginação levada da breca, pois tenho a impressão de  todos os anos lá ter estado. À excepção deste, por motivos profissionais.
Agora, sem surpresa, leio que os betinhos da JSD comungam da mesma opinião de Franck Carlucci, da CIA, dos banqueiros e demais ricalhaços: também pensam que Soares é fixe.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Portugal poderá ganhar mais um Nobel


E, inacreditavelmente, é o Nobel de Economia.
Mais inacreditavelmente ainda o talvez sério candidato não é um economista. 
Muito mais inacreditavelmente ainda, é um patego que, ao que consta, ensinava matemática e agora fecha escolas.
Mais informação aqui. E com desenho e tudo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Coincidências coincidentes...

De como se pode ver a inteligência absoluta (não me perguntem o que isso é) do grande cérebro Ângelo Correia.
Aqui, o Agostinho dá um mero exemplo. E, irónica e inteligentemente, e provavelmente para não fugir ao tom, estabelece um, digamos, paralelismo com o seu protegido e sua única invenção. Será caso para se dizer tal pai tal filho. Mas adiante...
Para não me alongar, direi que nas minhas anuais evocações do "25 de Abril", a de 2008 foi com textos de José Martins, publicados no jornal local "Barca Nova".
Este foi sobre  o dito cujo. Já em 1982, imaginem. Já com idade para ter juízo, não?
Há sempre famas que vêm de longe...