terça-feira, 29 de setembro de 2009

A situação financeira da Câmara - A história da dívida

por Nelson Fernandes





Durante esta campanha o PS e o PSD prometem coisas que não podem realizar. Na realidade o nível das promessas é inversamente proporcional às disponibilidades financeiras da Câmara. E na realidade o desempenho da Câmara para o quadriénio de 2009 a 2012 depende em primeiro lugar do saneamento financeiro da Câmara.

1- A HISTÓRIA E CAUSAS DA DÍVIDA
A história da dívida é rápida. Aguiar de Carvalho transmitiu a Santana Lopes uma câmara com quatro milhões de contos de receita e uma dívida controlada de cerca de 150 mil contos. Durante o mandato de Santana Lopes, a partir do segundo ano as receitas praticamente triplicaram, para cerca de 12 milhões de contos, por aumento das transferências do poder central, aumento das receitas do sector imobiliário e das derramas, porque esse período coincidiu com o fim das isenções dos impostos por aquisição de habitação própria e outros.
Este aumento de receitas originou de seguida um conjunto de “liberalismos” nas realizações de então que foram levadas a cabo sem acautelar financiamentos quer do estado, como foi o caso do CAE quer da UE como foi o caso da ETAR da Salmanha. Ou ainda na utilização da recém criada empresa municipal Figueira Grande Turismo para a aquisição expedita, do Abrigo da Montanha ou da discoteca “o Pecado”.

O “liberalismo” continuou com Duarte Silva. Se o mandato de Santana Lopes terminou com um empréstimo de 1 milhão de contos Duarte Silva estreou-se com um empréstimo de 3 milhões de contos. E durante o primeiro mandato, alienaram-se parte importante das receitas com a renegociação do contrato de concessão das águas, cuja empresa ainda hoje não paga o valor de mais de 300 mil € correspondentes ao complemento da renda da concessão, pela incorporação do investimento realizado pelo município antes de 2004.
Os orçamentos camarários expressam esse “liberalismo” orçamentando sempre o dobro da capacidade de receitas. E como as receitas reais não se compadeciam com as orçamentadas o mecanismo era simples. O ano económico para a Câmara tem dois tempos. Para receber tem doze meses, terminando em Dezembro, e, para pagar, tem nove meses terminando em Setembro, empurrando as despesas do último trimestre para o ano seguinte.
Também o governo do PS contribuiu para a diminuição das receitas ao não cumprir a Lei das Finanças Locais, modificando as regras do jogo e impondo limites ao endividamento sem dar aos municípios tempo para adequarem a sua situação financeira a novas regras.
E finalmente algumas reorganizações empresariais e a crise deram o golpe de misericórdia nas receitas que no ano de 2008 ficaram praticamente reduzidas a metade daquilo que já foram, isto é, a um pouco mais de 36 milhões de €.

Entretanto a dívida não para de subir como nos mostra o quadro que compara a diferença entre a despesa comprometida e a despesa paga.

Repare-se que o total das receitas é praticamente afecto às despesas o que quer dizer que na realidade a diferença encontrada para cada um dos anos não tem cobertura orçamental e transita já como dívida para o orçamento seguinte e assim sucessivamente. O passivo apontado para 2008 era de 66.104.497 M € a que há que juntar os passivos das empresas municipais o que se estima um valor global de cerca de 90 M €.

2. COMO LIDAR COM A DÍVIDA
Vale a pena agora lembrar que, do ponto de vista empresarial, uma Câmara que tem activos avaliados em 234.645.983 M€ e fundos próprios avaliados em 168.541.486 M €, o quantitativo de 90 M € de dívidas é naturalmente preocupante, e deve merecer uma imediata atenção pois pode comprometer o futuro, mas está longe de se considerar uma situação insolúvel.
A forma de lidar com a dívida será naturalmente diferente para as empresas municipais e para a Câmara. A dívida da responsabilidade das primeiras terá que ser analisada com as respectivas administrações e decidir medidas a tomar face à situação patrimonial e financeira de cada uma delas, sem excluir qualquer solução. A dívida da responsabilidade directa da Câmara deverá ter uma intervenção imediata.
A decomposição desta, (66 M€) mostra-nos duas grandes rubricas. As dívidas a terceiros Médio e Longo Prazo de 21.585.789 M€ que são dívidas a instituições de crédito e que estão naturalmente controladas: e as dívidas a terceiros Curto Prazo de 35.606.717 milhões de €. É esta que exige acção imediata pois implica com a actividade do tecido produtivo das pequenas e médias empresas fornecedoras de bens e serviços.
No entanto também não há que lidar com a totalidade desta rubrica. Uma parte dela 10.140.088 M € também está sob a responsabilidade das instituições de crédito através das modalidades de Leasing ou Factoring o que deixa para intervenção urgente uma quantia de 25.466.629 M€. Se entretanto a Câmara tivesse utilizado criteriosamente os cerca de 10 M€ que lhe couberam do programa de pagamento de dívidas ao Estado, a quantia a intervencionar passaria aos cerca de 15 M€.
Não é pouco. Tendo em conta que as despesas correntes consomem cerca de 80% das receitas correntes o que fica para pagamento da dívida são estes 20% remanescentes das receitas correntes (cerca de 6 M €) e a totalidade das receitas de capital. Ora como as receitas de capital tem vindo a decrescer, (11 milhões em 2006, 8 milhões em 2007 e 6 milhões em 2008) o plano de saneamento financeiro deve prolongar-se pelos quatro anos de mandato.

3. MEDIDAS CONCRETAS
1. Credibilizar os documentos de gestão nomeadamente o Orçamento Anual e as Grandes Opções do Plano.
O quadro seguinte mostra-nos a relação entre a despesa orçada e a receita cobrada.

Como se vê os sucessivos orçamentos tem uma taxa de execução muito baixa, e encorajam a cabimentação orçamental da despesa ainda que não haja cobertura nas receitas.
1.Correcção dos Orçamentos
A primeira medida a tomar é que o orçamento anual da receita seja igual á receita do ano anterior mais 20%, para dar margem de manobra á integração de verbas extraordinárias que possam acontecer durante o exercício. Esses 20% ficariam cativos e só seriam utilizados em função do comportamento das receitas.
Assim o orçamento de 2007 seria de cerca de 46,8 milhões de €, o de 2008 de cerca de 45,6 milhões de € e o de 2009 de 43,2 milhões de €. Só por si esta medida impede a Câmara de se comprometer anualmente com os montantes de despesa que nos são mostrados no quadro 1 uma vez que não existiria cabimentação orçamental.
2. GOP. Escalonamento de prioridades
É evidente que os reflexos desta medida nas Grandes Opções do Plano teriam de ser objecto de um escalonamento de prioridades, participado pelas freguesias, naquilo que a estas diz respeito. E é também evidente que esta medida não se compadece com as promessas eleitorais agora em curso, e que não terão nenhuma possibilidade de serem concretizadas. Assim as prioridades seriam para obras da responsabilidade das Juntas de Freguesia, fundamentalmente por administração directa, apoiadas na transferência de verbas, no apoio jurídico-administrativo, e no apoio técnico, quer em recursos humanos quer em maquinaria.
3. Disciplinar a Aquisição de Bens e Serviços
A segunda medida será a de disciplinar a rubrica de “Aquisição de Bens e Serviços”. Esta rubrica com mais de 15,5 milhões de € é a mais importante da despesa e em certa medida um verdadeiro “saco azul” de prebendas para particulares e empresas. O princípio será o de que nenhum serviço deve ser adquirido desde que a Câmara tenha capacidade para o fazer.
4. Disciplinar as Despesas Departamentais
Adequar a dimensão dos departamentos às prioridades estabelecidas nas Grandes Opções do Plano, e adaptar o seu funcionamento às capacidades de receita.
5. Rever os Contratos de Concessão
Os contratos de concessão, nomeadamente da Exploração das Águas e da recolha dos Resíduos Sólidos Urbanos, têm saído aos munícipes e ao município demasiado caros. É nosso entendimento que deve voltar á exploração do município, logo que cesse o período da concessão, uma vez que estes serviços deixam muito a desejar em termos de qualidade e de preço.

Estas são as medidas de emergência para o saneamento financeiro da Câmara. Não se deve naturalmente esquecer que serão necessários ajustes locais á capacidade de cobrança de receitas, mas também pressionar o governo no sentido de não utilizar a seu prazer as receitas municipais, e a cumprir integralmente a lei das Finanças Locais.


Adenda: Depois deste escrito tomamos conhecimento de uma informação sobre a situação financeira da Câmara no 1º semestre de 2009, que nos mostrou um sério agravamento, face ao Relatório de Gestão de 2008, que constitui a fonte deste trabalho.

Finalmente, Cavaco vai falar

O presidente da República vai falar ao país, hoje, pelas 20h00.
Não se sabe qual o assunto da faladura, ou mesmo se ele irá dizer alguma coisa.
Temos de esperar para ver, perdão, para ouvir.

A corja à volta da Parvónia

Augusto Alberto

Se por cá andasse, Camilo Castelo Branco haveria de continuar a falar sobre a velha corja, porque ela vai continuar a atacar. Mas também Guerra Junqueiro, falaria da “viajem à roda da Parvónia”, porque é tudo o que nos saiu, mais uma vez, destas eleições.
Primeiro, porque se fez vender a ideia de que o parlamento não tem corpo e voz própria, para melhor se poder reinar. Que se acabe então com o parlamento e se eleja logo directamente o 1º ministro e pronto, escusamos de ter estes deputados e esta maçada eleitoral.
Depois, porque começou a aritmética, ou seja, como somar para que a corja se continue a governar. Afinal, a coisa mudou um pouco, mas tudo vai ficar na mesma. E desse modo, já ouvi e li, falar num entendimento do Partido Socialista com o partido do deputado Portas. O deputado Portas, um celibatário nos géneros, parece que do ponto de vista político se prepara, ao que parece, para dar o nó, com o Partido Socialista, a fazer fé no Chico Van Zeller. Com papas e bolos se enganam os tolos e pelos vistos, o deputado Portas, quando mudou de partido democrata cristão para um partido “meio espertalhão”, de tanto papaguear, acertou e prepara-se para dar o conforto político que os amigos do Chico necessitam. Porque se o Chico Van Zeller assim o diz, assim se fará, aliás, em linha com o que de pior se fez no que diz respeito ao código do trabalho, essa coisa responsável por graves distorções na vida individual das pessoas, e não sou eu que o digo, mas gente que essas coisas estuda. Se o ministro Vieira da Silva, seu bom amigo, lhe deu ouvidos naquele instante, bem certo lhe dará ouvidos de novo.
A corja porque não é trouxa, sabe bem o que faz e como o faz.
Conseguiu à custa de traquinices o seu grande objectivo, ainda que com um pequeno custo. Manter o Partido Socialista como poder, agora, bem garroteado pelo CDS, a fazer fé na vontade do Chico Zeler, porque aquela gente do PPD/PSD está hoje completamente insane. Mas houve um pequeno engano. O Bloco de Esquerda, que foi criado para morder no PCP, acaba antes por morder no seu criador, porque acolheu os chateados urbanos e por isso, em breve veremos como se vai matar o Bloco, pois então. E ao contrário, contra muitos esforços, a CDU, única força escorreita e séria do xadrez político, acaba mais uma vez, laboriosamente, a consolidar o seu campo, numa luta desigual, ainda que muita gente considere que os comunistas são coisa má.
Afinal, não foi Jerónimo quem fez as considerações mais certas, que só por maldade não se amplificaram? Quem disse, por exemplo, que uma parte dos lucros da EDP poderia simplificar a vida às pessoas e empresas, as pequenas, sobretudo, de que o esperto do Portas agora se lembrou? Esta foi daquelas que a corja calou, porque esta gente foge como o diabo da cruz, quando se trata de ouvir dizer, vá lá, reparta-se um poucochinho a riqueza.
Guerra Junqueiro disse que este Povo é sisudo e sempre disponível para ser ultrajado. É um atavismo e isso faz as delícias da corja.
E eu, em conversa amena, já no rescaldo do dia, à volta dos restos do leitão, ainda disse para a mesa: - ainda hão-de os mais novos um dia de pagar para trabalhar, e logo dois companheiros acrescentaram: -sabemos quem cedeu terrenos e pelo menos um deles, a mulher, a troco do emprego.
Que dizer? Que a corja vai continua a andar à volta da parvónia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nelson Fernandes e a situação financeira da câmara



Já com vários mandatos como deputado municipal no curriculum, Nelson Fernandes é um dos mais experientes entre os seus pares. Exibe um humor fino, algumas vezes sarcástico e sempre incisivo, nas suas coerentes e bem argumentadas intervenções.
É o primeiro nome da lista da CDU concorrente àquele órgão, no próximo dia 11.
Amanhã, o “aldeia olímpica” publica um seu trabalho sobre a situação financeira da câmara, em que é historiada a dívida daquela entidade. Um trabalho elaborado com o rigor e a seriedade que caracteriza os comunistas, em que o autor aponta soluções que contribuem para uma possível governabilidade do município.
Bastante elucidativo para quem se der ao trabalho de ler.

O iate

Augusto Alberto

Ao correr os jornais, vejo que o santo Papa foi em cruzada, anticomunista, como ainda são as cruzadas modernas, embora não pareça, à República Checa. O santo homem mais uma vez papagueou, bem ao jeito dos que hoje são o ómega e o alfa da globalização, esse eufemismo, onde se deverá, antes, escrever, o mais cruel e acirrado capitalismo, que muita desgraça tem deixado pelo mundo.
Falou da libertação dos Países da Europa do leste de regimes opressivos, da época comunista. E se a queda do muro de Berlim marcou um momento decisivo da história mundial, ainda foi mais para os países da Europa Central e do leste, permitindo-lhe ocupar o lugar que lhes compete no concerto das Nações de forma soberana.
Bem sei que o santo homem, escondido e drapejando suave no conforto do Vaticano, não imaginará que muitos dos cidadãos deste mundo, estão tão desconfortáveis, que não ocupam o lugar que lhes compete no concerto dos povos.
O santo padre é um traficante de consciências e da história, porque deveria saber que povos que saíram do concerto, ali sim, da União Soviética, estão hoje bem longe do justo concerto dos povos. Saberá como vivem os povos da Chechénia, da Inguchétia, do enclave do Nagorno Karaba e dos fracassados regimes soberanos da Bulgária, por exemplo, que se dá à tontura de fazer uma experiência com um primeiro ministro, que antes do ser, já tinha sido, Simião, o rei, por exemplo, ou mesmo da mãe Rússia? Tanto faz, porque os andrajosos não se arrastam pelas praças do Vaticano.
Mas, em todo o caso, falemos de denúncias. Se o santo padre é um homem de uma só denúncia, então é preciso dizer que a igreja que agora dirige nunca se deu ao trabalho de apontar os que na União Soviética deixaram um rasto de 30 milhões de vidas e de milhares de infra-estruturas vitais, completamente destruídas. Se eu pudesse chegar-lhe, talvez o convidasse a passar pelo cemitério de Piskarevskaye, hoje em São Petersburgo, onde em campa rasa e comum, estão 700 mil vidas, e ali fazer a denúncia ao Mundo, dos abjectos crimes do capitalismo, em serviço, ontem, de democráticas, hoje, empresas como a Siemens, Krupps ou a Bayer, e de seguida fazer o elogio da resistência, escrita a sangue, do povo da cidade de Leninegrado, durante 900 dias. E se este santo homem, preocupado com o mundo, nunca o fez nem o fará, é porque também foi um fascista. E um fascista, nunca falará das tropelias dos seus pares.
Mas nem a propósito, na semana que agora acabou, passei por Lisboa. Fui ver os painéis de Almada Negreiros, no edifício da Rocha de Conde de Óbidos, hoje o terminal de cruzeiros da capital, e por onde nos anos da guerra, desfilavam os batalhões com passagem para a África, ao serviço de um indigente capitalismo, que a igreja de Roma nunca foi capaz de denunciar, antes pelo contrário, com quem partilhou ideias e amores.
Hoje já não passam batalhões, mas passam cruzeiros da mais fina tontaria e requinte, e naquele instante, vejo um iate colossal e espanto-me, apesar de já ter visto o suficiente para não me impressionar. Anotei a imagem, e qual o meu espanto, quando no dia seguinte, também através da imprensa, fiquei a saber que o fabuloso iate é pertença de um sortudo novo rico, magnate do petróleo russo, daqueles que num estalar de dedos se fizeram riquíssimos após o famoso tropeção soviético. É então legítimo dizer que o santo homem terá afinal alguma razão. Este magnata do petróleo, tem, com certeza, lugar no concerto dos homens, muito ao contrário de muitos dos seus concidadãos, abafados na indigência e no álcool.
Porventura, o santo homem, que bem sabe o que faz, poderá continuar a papaguear o quiser, mas não poderá decretar o fim da história, ainda que lhe desse bom gosto.

Legislativas: a Esquerda foi às cordas



A direita foi a grande vencedora do acto eleitoral de ontem, não há que escamotear. Colocou três partidos nos três primeiros lugares (PS, PSD e CDS), ficando os partidos de Esquerda com o quarto e quinto (BE e CDU). E em termos individuais o grande vencedor foi Paulo Portas, uma vez que com o CDS o partido socialista consegue formar uma maioria para governar, mesmo sem contar com os quatro lugares ainda por atribuir da emigração. O que deve doer ao BE, muito possivelmente derramadinho para experimentar o poder. Terá de ficar para outra ocasião.
Se bem que o Bloco conseguiu manter a dinâmica de crescimento à custa da Direita e que a CDU também tenha subido, em número de votos e um deputado, não gosto de “dourar a pílula” como ouço na televisão que a Esquerda tem a maioria. É já uma redundância que me aflige os miolos ouvir dizer que o “ps” é de Esquerda. Basta estar atento à sua governação. Se eu considerar o “ps” de Esquerda o que chamarei ao PSD, comparando os códigos de trabalho? Extrema-esquerda?
E se o “ps” se juntar ao CDS, parecendo o cenário mais plausível, não seria nada a que não estivéssemos habituados. Claro que terá que fazer algumas cedências, ao populismo de Portas, mas também nada que não esteja disposto a fazer, a até vem a calhar, dá nas vistas. Por outro lado, sem maioria absoluta terá que se entender também com o PSD, principalmente nas grandes questões como a revisão da Constituição, por exemplo.
Pronto, a Esquerda também teve uma vitória. Temo é que tenha sido uma vitória de Pirro.

domingo, 27 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (VI)

1993
Neste ano da graça os resultados eleitorais forneceram resultados idênticos aos de 4 anos antes. A vereação ficou exactamente na mesma, 5 mandatos para o “ps” e 4 para o PSD, o que demonstra que os figueirenses estariam satisfeitos com a administração cessante.
Os “socialistas”, os sociais-democratas e a coligação entre comunistas e verdes (CDU) tiveram sensivelmente a mesma votação. Só o CDS e o MRPP desceram, talvez pelo aparecimento, também fugaz como o PRD em 1985, do PSN, que ultrapassou o milhar e meio de votos.
Foi o segundo elenco camarário só com vereadores do “centrão”, como aliás se repetirá nos três actos eleitorais seguintes, como iremos ver. “Centrão” é uma maneira de dizer, uma palavra que ficou na moda, pois é de fácil compreensão que os seus governos ( “ps” ou PSD) têm vindo a radicalizarem-se à direita, a cada acto eleitoral que se vai realizando.


Os resultados:
PS, 15.455 votos, 45,45%, 5 mandatos
PSD, 11.928 votos, 35,08%, 4 mandatos
CDU, 2.127 votos, 6.25%,
PSN, 1.737 votos, 5,11%
CDS, 887 votos, 2,61%
MRPP, 358 votos, 1.05%,
Votos brancos, 948, 2,79%
Votos nulos, 565, 1,66%
Votantes: 34.005, 62,13%
Abstenção: 20.728, 37,87%
Inscritos: 54.733

sábado, 26 de setembro de 2009

Lamber as feridas

Augusto Alberto


Há uns dias passei pelo Hospital Rovisco Pais, no contexto das minhas tarefas no âmbito do desporto para deficientes, mais concretamente, na minha relação com o remo paraolímpico. Tratou-se de estar presente numa cerimónia que selou um longo protocolo para as diversas áreas desse desporto.
Estava, como era de calcular, muita gente num calmo mar quando de repente dei, quase à minha frente, com uma figura que esteve durante alguns anos no centro da vida figueirense e que há muito não via. Falo do Drº. Carlos Beja, antigo deputado da nação e ilustre candidato do Partido Socialista a presidente da autarquia, no ano da vitória do Drº. Santana Lopes, mediático Presidente. Aliás, nessa sua passagem como deputado da nação, fica-lhe uma desfeita, que de certeza nunca mais esquecerá. No centro das dificuldades que os trabalhadores da EMEF/CP da Figueira da Foz estavam a sentir, o Sr. Deputado recebeu os seus representantes e ficou célebre a resposta que lhes deu, depois de os ter informado que não acolhia as suas preocupações. Suceda o que suceder e fizessem os trabalhadores o que fizessem, ele, deputado Carlos Beja e o seu P. Socialista, ganhariam sempre as eleições na Figueira da Foz, disse. Acontece que ao Sr. deputado à época, os cães saíram-lhe ao caminho, cagaram na estrada e como é bom de ver, o Sr. deputado acabou a lambuzar os sapatos, como se sabe. Evidentemente fiquei surpreendido, porque não sei como calha o Drº. Carlos Beja com o movimento que ali se celebrou. Pode ser só ignorância minha. Mas logo um tempinho adiante, comecei a perceber. Chegou também o senhor Juiz Ataíde, candidato à presidência da Câmara da Figueira da Foz, pelo partido socialista, que por isso mesmo, vai sendo conhecido pelo Sr. Juiz de fora. Começava a bater certo, embora também ao senhor juiz de fora, não se conheça relação com o que se estava ali a celebrar. Pode ser só, de novo, ignorância minha. E ser for, penitencio-me.
Evidentemente que as apresentações foram correctas e estiveram ao nível. A campanha seguiu ali com recato e gosto. Embora tenha uma dúvida, porque não sei se o Sr. juiz de fora, vai cair para dentro, ou se vai cair para fora, o que sei é que os tempos passados recentes, nesta minha terra, foram tempos de faca e alguidar. Amores e desamores, traições, rasgões e muitas atrapalhações. Houve de tudo, como é público, mas mantenhamo-nos calmos. Certo que é dito que as principais figuras giram segundo os interesses de verdadeiros pares. Evidentemente, não tenho a certeza. Talvez sim. Contudo, não creio que os amores e desamores condicionem as intenções. Tudo com o tempo se cura e logo o agiornamiento se fará, porque no fundo, bem no fundo, há sempre quem cultive a esperança de que no tempo sempre será melhor chupar um osso, nem que pequeno seja, do que ficar a lamber as próprias feridas.

O Campo (que foi) Pequeno!

imagem daqui (onde se inclui um ensaio sobre a teoria da perseguição)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O pessimismo da OCDE


As previsões da OCDE indicam que Portugal, no final de 2010, terá 650.000 desempregados.
Temo que essa organização cooperativa tenha sido um pouco pessimista, e injusta, em relação à competência dos governos que os portugueses têm escolhido. Porque estes escolhem com a melhor das intenções e não se têm enganado. Não houve governo algum que não fosse capaz de aumentar as taxas de desemprego.
Portanto, penso que no final daquele prazo o governo de Portugal consiga chegar ao milhão de desempregados e, assim, exceder as previsões da OCDE.
Vai daí, resolvi fazer uma sondagem, uma vez que também estão na moda, as sondagens, aí pela blogosfera fora. Só para aquilatar se os portugueses confiam mesmo nos governos que escolhem.
Aí mesmo, no canto superior direito.

Dr. Rui e Mrs. Manuela



O que terão em comum o juiz Rui Teixeira e Manuela Moura Guedes? E só para falar de duas figuras, digamos, mediáticas.
Ou serão surdos ou distraídos. Ou então, uma terceira hipótese, destemidos.
Porque uma das grandes figuras do “ps”, o empresário Jorge Coelho avisou, alto e bom som, que “quem se mete com o “ps”, leva”.
E esta é uma das diferenças, abissal, diga-se, entre os “socialistas” e o Estado Novo. É que Salazar nem sequer se dava ao luxo de avisar. O que retira toda a credibilidade a quem anda a colocar uns bigodes, também mediáticos, diga-se, nos cartazes do grande chefe “socialista”.
É que estes avisam. quem não ouve, não ouve. E, como se sabe, o desconhecimento da Lei não serve de desculpa.
E ficamos a saber que o Dr. Rui e a sra. Manuela não conhecem nenhuma citação de Luís XV.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (V)

1989
Realizadas em 17 de Dezembro este acto eleitoral trouxe duas novidades: a primeira, o executivo camarário subiu de 7 para 9 elementos e, segunda, passou a ser representado unicamente pelo “ps” e pelo PSD. Começaram, então, as maiorias absolutas, que se mantêm até aos dias de hoje.
Os “socialistas” obtiveram 5 mandatos e os sociais-democratas 4.
Sabendo que nas grandes opções as diferenças entre eles são mínimas, ou mesmo inexistentes, poder-se-á dizer que se elegeu um executivo monocórdico. Até aos dias de hoje a Direita tem feito sempre o pleno. Assim a modos como eu e os “Cães Danados” nas “Noites do Forte”.
Em relação às eleições anteriores todas as forças políticas subiram em número de votos, à excepção do PCP/PEV, que concorreram coligados na CDU (Coligação Democrática Unitária) e perderam mais de mil votos.



Os resultados:
PS, 15.178 votos, 47,01%, 5 mandatos
PSD, 11.456 votos, 35,48%, 4 mandatos
CDU, 1.880 votos, 5,82%,
CDS, 1.526 votos, 4,73%
MRPP, 600 votos, 1.86%,
Votos brancos, 909, 2,82%
Votos nulos, 737, 2,28%
Votantes: 32.286, 61,85%
Abstenção: 19.913, 38,15%
Inscritos: 52.199

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Morreu Costa Andrade


O deputado e poeta angolano Fernando Costa Andrade faleceu na última sexta-feira em Lisboa, aos 73 anos.
Poeta, ficcionista, ensaísta e pintor, tendo estudado arquitectura, foi também membro fundador da União de Escritores Angolanos.
Nacionalista, foi comandante da guerrilha na Frente Leste nos anos 60 e 70. Com vários pseudónimos literários, como guerrilheiro ficou conhecido por comandante Ndunduma Wé Lépi.
É uma perda irreparável para a Cultura angolana.



Confiança


olha amor estas anharas
nelas renasce
o verde forte
do capim…


olha e escuta a vida
a borbulhar
sob a imensa sensação
de sermos nós


olha amor
e solta enfim
o brado da certeza
que não é crime
o grito à vida
e ao amor que se adivinha.


olha amor estas anharas
renasce verde
o capim da terra grávida
de bocas saciadas.


olha amor escuta
esta imensa sensação
de sermos Nós.

…é preto

Augusto Alberto


Há muitos anos que não via e ouvia a Brigada Victor Jara e no comício de Coimbra, que encheu as escadinhas monumentais, aproveitei para a rever. Foi com gosto. Pena foi não ter encontrado um dos seus fundadores, o meu amigo Rui Curto, de quem fui companheiro na real República do Palácio da Loucura. Bem sei que na vida nem todos os desejos se cumprem. Também já não via há longo tempo o Manuel Pires da Rocha. Conheci-o era um menino, sempre pela mão do Pai. Foi um gosto. E com gosto continuo a saber que se fez homem e que aquela gente nunca cedeu e hoje, o Manuel, é o primeiro da minha lista de candidatos ao Distrito de Coimbra. Nela votarei também com todo o gosto.
Como deve ser em gente séria e que não cede, logo o Manuel fez publicamente uma séria denúncia, sobre o modo como se constrói o futuro hospital pediátrico de Coimbra, aliás, denúncia escrita no jornal regional de culto, ainda que um pouco encurralada. A gente sabe porquê. Estamos pois, perante factos graves, com certeza. E o que diz a denúncia? Que o fiscal residente, que fazia o controle da obra, se foi embora depois de deixar graves denúncias quanto à qualidade da construção do edifício. Logo quem tutela a obra, a Administração Regional de Saúde, veio garantir que tudo está bem e que portanto o hospital não cairá. Certo! A ministra da saúde, candidata nº1 pelo círculo de Coimbra pelo Partido Socialista, aos factos, também nada disse. Evidentemente que a ministra não se quis meter por atalhos. Dir-se-á que é um direito adquirido por esta gente. Certíssimo! E agora, deixo eu aqui uma metódica dúvida. Se aquele hospital puder um dia falar, que história de amores e traições nos dirá? Muitas com certeza.
De atalhos procura fugir também o PPD/PSD, evidentemente, mas mesmo que queira e se puder, de uma soberba gargalhada não se livrará. Ficamos a saber, e estamos bem longe das invenções, que afinal os votos, as nomeações e os lugares se compram com a melhor das baratezas e tudo muito fácil, contaram-nos militantes perfeitamente identificados. Com ligeireza, o militante, que militante, porque é preciso saber se aquela gente é militante, era chamado, e ali mesmo no tejadilho do automóvel, estacionado mansamente, assina a lista, se caso disso, ou entra e coloca a cruz, e logo no retorno e a troco, de uma caixa, tira os 25 euros. Um regalo e um mimo, ainda que Guilherme Silva diga que há muitas maneiras de matar pulgas. Ele lá saberá, ninguém tenha dúvida.
Dir-se-á que 25 euros num tempo destes não será coisa para botar fora e que portanto, no amealhar é que vai o ganho e aquele rapaz de nome Preto, é bem capaz de o saber e por isso, sabe bem dar ares de muitas e nobres condições e pela amostra, esperto que nem um alho.
Estamos pois perante uma pátria feita destes ditosos filhos, sufragados democrática e meritoriamente e, portanto, sem mácula sim senhor.
Porque está difícil, apetece-me acabar, dizendo um ditado popular, “foda-se que é preto” e perguntando, quando é que esta gente cairá?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A questão da coerência

Apesar do meu “mau feitio” ideológico, que aliás já me tem rendido vários epítetos tais como “ortodoxo” ou sectário”, mas que assumo fácil, coerente e orgulhosamente, devendo acrescentar que o último daqueles epítetos já me foi até atribuído por camaradas meus, apesar desse mau feitio, dizia, também sou capaz de ouvir, compreender e dar razão a quem pensa de maneira diferente da minha.
E assim sou tentado a dar razão ao primeiro-ministro José Sócrates quando ele afirma “os portugueses não podem confiar num 1º ministro que uma vez diz umas coisas e outra vez diz outras”.
Mas é aqui que entra este meu “mau feitio”: na minha concordância não ser total, o que eu lamento. Porque poder, poder, podem, sr. 1º ministro, é o que andam a fazer há cerca de 33 anos.
Não deviam, é o que é.

P.S. (salvo seja): Também discordo da campanha “socialista” na Figueira da Foz ter citado uma das mais significativas obras de Álvaro Cunhal, aquela que melhor caracteriza o carácter nacionalista e patriótico dos comunistas portugueses. Acredito que tenha sido mesmo por iliteracia.

Cultura

Uma definição de cultura será coisa difícil de explanar, sobretudo a estas horas da madrugada.
Diriamos que cultura será o resto do conhecimento que nos fica, depois de esquecermos tudo aquilo que aprendemos.
Ora, é ponto assente que para as classes dominantes será conveniente mesmo que o resto do povinho seja ignorante. Por razões muito óbvias, seria fastidioso aqui enumerá-las.
Lutar contra este estado de coisas é um acto humanista. E até altruísta.
Aqui pode subscrever um abaixo-assinado com a divulgação pública de um documento contendo as ideias e propostas da CDU para mudar "a triste e medíocre realidade da política cultural que temos sofrido".

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Houve festa e romaria na minha terra

Augusto Alberto



Houve festa e romaria na minha terra. Carrosséis, barracas com sardinhas e bifanas, farturas e cerveja. Mais o Quim Barreiros, a procissão e a banda. Tudo como sempre. E houve também cordeiros da igreja que militam no arco do poder, que aproveitaram, neste tempo de eleições, o ensejo para distribuir a sua publicidade e alguns, até dançar. Os mais cépticos poderão dizer que estivemos perante publicidade enganosa. Não sei, o tempo o dirá, porque democraticamente, o povo, esse soberano, tudo tem caucionado e por isso, sendo assim, tudo perfeito. Lá estive também, mais a ver do que a ser visto, a procissão, a banda e a militância.
Nesse instante, lembrei-me que fui vítima de uma tentativa de ser moldado como pessoa católica e apostólica, que fracassou, porque não fui em testamentos e histórias bíblicas, e que desde menino, é bom que se diga, por volta dos 10 anos, me pareceu que havia por ali uma espécie de tenaz que apertava. Incomodava-me a luz coada e difusa das capelas e igrejas, oprimia-me o cerimonial sempre muito recto e por isso, aquilo me pareceu tudo muito pesado para corpo tão frágil.
Fiz boa parte da minha juventude em Lisboa e ainda me lembro das excursões à capital para sassaricar Salazar e o cardeal. Figuras beatas e com basto cardápio de atrocidades. Ambos eram o regime e o cardeal o suporte. Não é por acaso que logo após o 25 Abril, e nem sei se ainda agora, em muitos locais do país, se votava ou ainda vota, por indicação do ministro da igreja, no partido do Sr. padre. Por isso estranhei o desconforto de D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, que disse, “não podemos andar a brincar aos partidos e é necessário encontrar solução que dê consistência ao país”. Evidentemente, a D. Carlos falta-lhe a coragem, ou se calhar prefere olhar de viés, para não ter que indicar a verdade dos factos. Dir-se-á que D. Carlos procura mourejar alguma coisa.
Mas também será bom que a igreja universal, olhe para o umbigo, porque apesar de estarmos em pleno século XXI, não se livra de bastas e más malfeitorias.
O que fizeram na diocese de Boston, foi de tal monta, que a respectiva está praticamente arrumada, tal foi o esforço financeiro necessário para ressarcir famílias humilhadas por padres que afinal se botaram a perder pela carne. Mas não só. Nos inquestionáveis colégios britânicos, os padres mal se portaram também. Quer isto dizer, que do ponto de vista da moral e dos bons costumes, alguma igreja é de chumbo. Do ponto de vista político, com um espólio feito de Deus, Pátria e autoridade, em concubinagem com os regimes torcionários da América do Centro e Sul, e ainda outros, aqui e tão perto, estiveram no centro da repressão e pobreza.
Provavelmente estará na altura da correcção pelos caminhos difíceis do arrependimento. Sendo assim, será importante que D. Carlos diga aos seus fiéis, que afinal, se a pátria está no estado lamentável de atonia, se deve exactamente às práticas dos partidos que acolhem no seu seio distintos cordeiros da igreja, que sempre dirigem ao contrário dos interesses do povo comum. De seguida, D. Carlos Azevedo vai ainda ter de fazer outro acto de contrição. Poderá mandar, por exemplo, pôr os altifalantes das igrejas bem altos, para no mínimo, indicar os responsáveis.
Era de coragem.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (IV)

1985
Neste ano, o “ps” perdeu a maioria absoluta e um mandato, perdendo um pouco mais de 4 mil votos, sensivelmente os que o fugaz PRD conseguiu apurar.
O PSD e o CDS que concorreram desligados também subiram consideravelmente e o MRPP não chegou à centena e meia de votos, quando 4 anos antes obtivera 1201. A APU conseguiu, aliás como consegue sempre, ou quase pois a excepção foi 1997, segurar o seu eleitorado, apesar de ter registado uma pequena descida. E nesse ano da graça de Santana Lopes não se resolveu questão nenhuma de fundo estando o concelho exactamente no mesmo estado em que os “socialistas” o deixaram.
Mas continuou-se como sempre, ou seja, com uma maioria de direita no executivo camarário. Será imutável?


Os resultados:
PS, 11.094 votos, 37,54%, 3 mandatos
PSD, 8.230 votos, 27.85%, 2 mandatos
PRD, 4.060 votos, 13,74%, 1 mandato
APU, 3.414 votos, 11,55%, 1 mandato
CDS, 1.326 votos, 4.49%
MRPP, 136 votos, 0,46%,
Votos brancos, 654, 2,21%
Votos nulos, 641, 2,17%
Votantes: 29.555, 59,71%
Abstenção: 19.944, 40,29%
Inscritos: 49.499.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A Mafalda e o Zé


E o que é que a Mafalda tem a ver com o Zé?, perguntam vocêses.
Se calhar, nada, ou, se calhar, tudo.
Mas isso agora não interessa nada. Foi a propósito de uma homenagem à menina argentina que o artista Fernando Campos se lembrou do Guarda Ricardo e do Zé.
A lembradura foi de tal ordem que até tem uma proposta para uma homenagem ao Zé, chegando ao ponto de prometer um croquis para um dia destes. A gente espera.
Tudo aqui.

domingo, 13 de setembro de 2009

Catarina Marques, 9ª nos 5000



21º Deaflympics Taipei 2009
Com um registo de 21.07.43 Catarina Marques terminou há momentos a prova dos 5000 metros na nona posição, atrás da também portuguesa Dina Oliveira, 8ª.
A atleta figueirense, ainda júnior, relembre-se, ficou a pouco mais de 2 minutos da terceira classificada, a ucraniana Viktoria Holub, de 25 anos. A vencedora foi Melinda Louise Vernon, da Austrália, de 24 anos, que cobriu o percurso em 16.23.27. A prestação da atleta figueirense, embora bastante positiva, terá ficado aquém do esperado mesmo por ela própria, a julgar pelo facto de não se ter aproximado da sua melhor marca.
Mas ficam aqui os devidos parabéns à Catarina, pela excelente participação nestes Jogos.

sábado, 12 de setembro de 2009

No quintal do sul, afinal, morre-se de fome

Augusto Alberto


Como muito bem lembra esta "aldeia olímpica", em 11 de Setembro comemora-se duas datas absolutamente fatídicas.
O primeiro 11 de Setembro foi em 1973 e hoje de um modo geral é muito pouco conhecido e recordado. O segundo foi só há 8 anos. Do primeiro, no Chile, as imagens que nos chegam de modo escasso, violentas, da metralha sobre o palácio de Allende, são do ponto de vista fílmico, cinzentas e muito distantes e mesmo a tradução do golpe para filme, “Chove em Santiago”, foram, anos mais tarde, muito discutíveis. As de 2001, de Nova Yorque, são desse ponto de vista mais mediáticas e apelativas.
De qualquer modo, o 11 de Setembro de 1973 consubstanciou um severo golpe, sobre um momento democrático, no quintal mais a sul do grande amigo do norte, que enviou até ao Chile os melhores dos seus quadros diplomáticos e da espionagem, com a missão de abortar aquele despautério, que se jogou a votos. Os tempos não estavam para coisas temerárias, que poderia induzir novos atrevimentos e subtrair à esfera de influência dos americanos, terrenos desde há muito seus. As grandes empresas com centro em Nova Yorque, como a grande United Fruits, verdadeira usurpadora dos melhores terrenos da América Central e do Sul, do gaz, do cobre, do petróleo, e por ai adiante, não se poderiam colocar a jeito.
Mas a questão é que o golpe sobre a experiência democrática no Chile, sendo um claro e severo aviso, não matou em definitivo vontades, e passados muitos anos sobre esse dia, de momento a correlação de forças está a colocar nessa área grandes mudanças. Desde logo quanto à soberania dos espaços e riquezas. É evidente que o amigo do norte, meio zonzo com o que se passa a oriente, onde se meteu de olhos fechados e que o 11 de Setembro de 2001 parece que caucionou, e de resultado incerto, aliás, como sempre, foi apanhado um pouco com as calças na mão e aquilo que lhe era certo, está a ficar de momento também incerto. Por toda a região da América do sul, movimentos sociais antagónicos enfrentam-se, às vezes de modo muito violento, porque aqueles povos procuram a sua própria identidade. Nada pode ser dado como adquirido. Mas sabemos, por ora, que a luta é severa e que por exemplo na Venezuela, com todas as contradições, o nível de pobreza baixou acima de 25%. Evidentemente o império vai lutar para não dar por perdido o que era seu e prepara-se para fazer da Colômbia um enorme porta-aviões, para a partir dai, começar a castigar os que como no Chile de 1973, tentaram a emancipação. Não é por acaso que, estando nós no século XXI, nas Honduras se tenta parar o cadinho da história.
Mas esse golpe de 73 no Chile, deixou sequelas, porque atrasou a história e o exemplo muito claro é o que se passa exactamente hoje, no final da primeira década deste século, num dos quintais do sul. Falo da Guatemala, país meio distante e mal sabido a muitos democratas. Ficamos a saber, pela voz em desespero do seu presidente que se morre a sul do império, porque 15 das 22 regiões do País estão condenadas à morte pela fome, se rapidamente não chegar socorro. 44% das crianças do país sofrem de desnutrição e números por alto falam em centenas de mortes. Lugar privilegiado neste drama, como é hábito, está a ser ocupado pelas crianças.
Já em 1953 a Guatemala sofreu da política da canhoneira, quando intentou recuperar terrenos, que a United Fruits considerava, então, como seus.
Ora aqui está, sim senhor. Cuidemos-nos porque fundamentalismos de vários tipos vão fazer passar a humanidade por novas provações, para que um punhado viva ocupado com as suas loucuras e orgias.

Das cerejas sem caroço e da batota


Não chegamos ao fim da História

Prova-o o modelo social proposto pelo neo-liberalismo, ou capitalismo fascizante, ou autoritário, como lhe queiram chamar. Esse mesmo defendido e praticado pelo PS e PSD.
E prova-o porque esse modelo está mesmo a chegar ao fim. Porque o nazismo também chegou. Porque a humanidade também o há-de vencer.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Catarina Marques, 5ª nos 3000 obs.



A atleta da Sociedade União Operária, dos Vais, Catarina Marques, obteve a quinta posição na prova de 3000 metros obstáculos, disputada esta manhã (hora de Lisboa), nos Jogos Olímpicos para surdos que se disputam em Taiwan, de 4 a 15 deste mês.
A atleta fez o tempo de 12.59,37, ficando a menos de três segundos da sua melhor marca, que não chegaria, de toda a maneira, para chegar às medalhas. A quarta classificada, a americana Erin Lafave, gastou 12.05,60.
A vencedora foi a recordista mundial, a russa Olga Yakubovskaya, que gastou 10.34,95.
Tendo como objectivo ficar entre as 10 primeiras, e atendendo a que é a primeira prova internacional da atleta, pode dizer-se que ultrapassou as expectativas, que não seriam, nem poderiam ser muitas, atendendo a vários factores como o ser a mais jovem das atletas, ainda júnior, e as já famosas e por nós aqui mostradas, condições de treino que existem na Figueira da Foz.
Falta a prova dos 5000, no próximo Domingo, mas fica a certeza que Catarina fez o seu papel e cumpriu os mínimos. Cabe aqui, por que é devido, uma palavra de apreço, e de parabéns, ao seu treinador prof. Fonseca Antunes.
Quem está em débito que se apresente.

11 de Setembro

Interrogo-me sempre se os americanos têm alguma fixação nesta data ou se terá sido mera coincidência.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Onde é que eu já ouvi isto????



É o que se chama a repetição de um acontecimento histórico? Então é uma comédia. Ou será uma paródia?!!!

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (III)

1982
Neste ano, a 12 de Dezembro, o “ps” conseguiu a maioria absoluta elegendo 4 vereadores, embalado e favorecido pelo descalabro do governo PSD/CDS. A coligação de direita (AD) elegeu dois e a APU um.
Começou a partir desta época um verdadeiro ascendente da especulação imobiliária na política local e que tem, diga-se, caracterizado o concelho até aos nossos dias. O último exemplo é o mais terrível dos abortos arquitectónicos, esse crime urbanístico na Ponte Galante.
A UDP já não participou no acto eleitoral mas o MRPP conseguiu ultrapassar em número de votos o total obtido pela UDP e MRPP juntos em 1979, conseguindo 3,95%, subindo mais de 50%.

Os resultados:
PS, 15.184 votos, 49,92%, 4 mandatos
AD,7.968 votos, 26.20%, 2 mandato
APU, 4.332 votos, 14,24%, 1 mandato
MRPP, 1.201 votos, 3,9558%,
Votos brancos, 837, 2,75%
Votos nulos, 894, 2,94%
Votantes: 30.416, 63,35%
Abstenção: 17.596, 36,65%
Inscritos: 48.012.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Sr. Madail, abaixo do mínimo

Augusto Alberto


As rábulas do futebol fazem as delícias de muita gente e mais do que isso, funcionam muitas das vezes, como um bom entretenimento. Foi exactamente, a propósito de uma dessas rábulas, no contexto do jogo Dinamarca/Portugal, que o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, mostrou do que é feito. Provocações feitas no contexto da guerrilha psicológica muito usual num mundo muitas das vezes nem sempre leal, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, deu o troco, mas de modo a colocar-se ao nível de um qualquer jogador, que tem na ponta das botas o clímax da resposta. Mas acontece que o Sr. Madail não é um sujeito qualquer e desse modo, não pode retorquir de modo descomposto. O Sr.Madail é Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que logo impõe equilíbrios e compostura e o obriga à procura de elementos que lhe permitam dar de modo elegante, o troco, se necessário, aliás, como fez, e muito bem, em conferência de imprensa, o seleccionador nacional. Acresce dizer ainda, que o Sr. é membro da FIFA. Armou em grosseirão e analfabeto no momento em que se referiu a um atleta negro, queniano de origem e adoptado em 1995 pela Dinamarca, num processo complicado que lhe custou a presença nos Jogos Olímpicos de Atalanta.
O Sr. que é presidente, queria-se referir a Wilson Kipketer, duplo campeão do Mundo, mas nunca campeão olímpico, mas ainda recordista da distância dos 800 metros. Vale dizer ainda que Wilson Kipketer, foi em 1997, eleito atleta masculino do ano pela IAAF, à frente de gente do calibre de Gebreselassie e Sergei Bubka. Mas a sua história, infelizmente, não acaba aqui. A sua carreira entrou em declínio irreversível, após uma doença, longa e muito séria, contraída num estágio de Inverno realizado na pátria do senhor Madail, mais exactamente no Algarve. Passou por claras dificuldades que quase lhe ia custando a vida, regressou de um modo penoso, mas o fim estava ali adiante. Retirou-se da competição cedo demais, deixando-nos a imagem de um atleta superior. O Sr. Madail não terá obviamente de saber estas coisas, mas antes de se referir ao atleta de um modo grosseiro e destemperado, que um dia trocou o Quénia pela Dinamarca, deveria recolher informações acerca das coisas, para não dar a imagem de um fulano algo trauliteiro e sem classe.
O Sr. Madail, como muita gente do futebol, só consegue dizer e pensar com a biqueira da bota que chuta na bola. É por estas e por outras que este pobre povo pena, porque tem nas elites, gente abaixo do mínimo.

E esta "nuance"?

Sabe qual é o mais conservador dos nossos líderes partidários?
Ele há coisas do arco da velha. Por aqui.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ainda a festa. Uma festa de afectos


A Festa do Avante é um acontecimento difícil de reportar. É algo que só vivendo. Em 3 dias é possível ter contacto com várias culturas, nas suas mais diversas manifestações. Desde um indescritível espectáculo de ópera à banda nova-iorquina “Hazmat Modine”, que consegue uma original fusão de estilos como o blues, o reggae, country ou a música cigana e que dificilmente teremos oportunidade para os tornar a ouvir, o blue Guy Davis, passando pelo melhor da música portuguesa, nos seus mais diversos contextos, como Teresa Salgueiro, Vitorino, Samuel, David Fonseca, Maria João e Mário Laginha, a excelente banda lisboeta de rock “Gazua”, a ter em conta, ou os Clã.
Mas sobre a festa, nada como esta crónica da minha camarada Ana Camarra. Não perca.

Anda por aí um boneco que está a começar a comer o criador

Augusto Alberto
O debate entre Louça e Jerónimo de Sousa foi muito preciso quanto à clareza das diferenças, nos conteúdos, entre o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Só não entendeu quem está de má fé, é ignorante ou está desatento.
A propósito da banca, Jerónimo definiu muito claramente a importância de uma banca na esfera pública capaz de ajudar o tecido produtivo, de imediato, as pequenas e médias empresas, pela baixa dos juros e spreads. Louçã a este propósito, deixou-nos a ideia do que necessitamos é de mais regulação e de um melhor regulador e basta.
Como sair deste estado de coisas? Jerónimo disse que será imperioso melhorar os salários em ordem a dinamizar o mercado interno, porque não basta exportar, é preciso produzir mais para diminuir a dependência. Deu como exemplo, inclusive, o modo como os Estados Unidos recuperaram da crise de 1929. Da transferência de uma pequena parte dos fabulosos lucros das grandes empresas, a Edp por exemplo, em linha com uma baixa do preço da electricidade a favor das empresas. E quanto às grandes obras, tgv e aeroporto, a questão é saber quanto vai a indústria nacional incorporar nessas obras. Quem faz por exemplo as carruagens, os pernos, parafusos, os carris, as vigas, etc. Esta questão é central, sob pena de afinal, a coisa se tornar mais um bodo às grandes empresas internacionais, da metalomecânica e metalurgia, sangrando mais recursos nacionais para o exterior. Nesta matéria, seria importante que tanto o P.S, o PSD/PPD e o CDS, que é quem tem governado a pátria, nos dissessem o que foi feito das nossas grandes empresas da metalurgia pesada e metalomecânica, que agora vinham a propósito. Louçã falou da teia de interesses, do Coelho da MotaEngil e de uma taxa sobre as grandes fortunas e mais não disse. Isso já nós sabemos, caro Louçã, a questão é saber como mudar as coisas.
Poderemos então concluir, de modo rápido, que Jerónimo propõe mudanças e Louça propõe mudar, sem nada mudar, ou seja, coloca-se numa espécie de quadratura do círculo. Difícil!
Houve tempos que para trancar os comunistas, se inventou a Pintassilgo, depois ainda o PRD, a seguir um Alegre e entretanto reuniram-se vontades, muito diferentes e aconteceu o Bloco de Esquerda. De há uns anos a esta parte o Partido Socialista tem feito na prática e nos conceitos de PPD/PSD, com uma pequena nuance, promove a pobreza e depois vem praticar uma vaga caridadezinha, bem ao gosto de algumas elites da caca. E entretanto o Bloco vem fazendo finamente, como se vê, de Partido Socialista, ou cada vez mais claro, de partido social-democrata. O Bloco, que hoje é um bom aconchego, foi inventado com a clara intenção de escavar o Partido Comunista, mas acontece que afinal, ambos, crescem.
Depois do debate, ainda arranjei coragem para ver e ouvir as tortuosas análises dos analistas e comentadores da praxe e do regime. Um deles, lúcido, mas só um poucochinho, descobriu afinal, que, como acima disse, ambos, o Bloco e o Partido Comunista, crescem, mas de tão poucochinho, não soube concluir. E a conclusão é óbvia, o boneco está a comer o criador, ou para usar mais clareza, o Partido Socialista queria ir à pesca, mas está em risco de ser ele próprio pescado.
E esta! Quem diria… O tempo vai ajudar a clarificar e pode ser que já não falte muito.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Viva a 34ª Festa do Avante

(foto: alex campos, Festa 2008)


Terminou ontem a 33ª edição da “Festa do Avante”.
Não vou cair no erro de dizer que foi a melhor de sempre. Cada edição tem a sua especificidade própria. A melhor Festa do Avante como todos os que lá vão, sendo comunistas ou não, e a grande maioria dos que lá vão não o serão, sabem, é sempre a do ano que vem.
Penso que por muito que o poder tente, e não tem olhado a meios para atingir esse fim, acabar com essa realização de fraternidade, com essa demonstração de conseguir realizar, acho muito difícil conseguir.
A cobertura jornalística que nos é dado observar não traça uma pequena, sequer, imagem do que é a festa. Por razões que não escapam, com certeza, à maioria das pessoas. Está na cara a liberdade que nos querem impor. Os “órgãos de comunicação” focam a componente política, importante claro mas, o que é inadmissível, deturpam-na. Outros lados, outras vertentes da Festa das festas são pura e simplesmente ignorados. A música, o teatro, a pintura, a ciência, o desporto, enfim, todos os lados imagináveis da arte e da cultura, para adultos e para crianças ali presentes, passam ao lado.
Mas a festa já não precisa dessa, que não seria isso, de resto, publicidade. Seria, isso sim, reportagens honestas do que se passa na Quinta da Atalaia. São milhares e milhares de pessoas que lá vão tornando impossível, então, escamotear o acontecimento. E tornando possível a Festa.
Dificuldades acrescidas para o poder instituído. Só mesmo contornando a lei. Aliás, o que, para eles, não é nada por aí além.

sábado, 5 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (II)

1979
Realizadas em 16 de Dezembro. Com o aumento do número de inscritos e a descida da abstenção, todas as forças políticas subiram as suas votações, à excepção das forças esquerdistas. Aliás é o registo mais baixo de abstenção na Figueira da Foz de todos os nove actos eleitorais autárquicos realizados até hoje. Eram os tempos do governo AD que seria substituído por um PS/PSD. Assim à vez é tudo mais democrático.
Os GDUPS desapareceram, substituídos neste insubstituível papel histórico pelos maoístas da UDP ( que se diluiriam anos mais tarde para formar o BE juntamente com o trotskista PSR) e pelo ciático MRPP. Este era o tal em que os seus militantes tinham apoio logístico fornecido pelos “socialistas”.
O ”ps” voltou a ganhar, perdendo contudo a maioria absoluta.
Os resultados:
PS, 13.129 votos, 43,04%, 3 mandatos
AD,10.772 votos, 35,31%, 3 mandato
APU, 4.658 votos, 15,27%, 1 mandato
MRPP, 481 votos, 1,58%,
UDP, 306 votos, 1,00%
Votos brancos, 518, 1,70%
Votos nulos, 640, 2,10%
Votantes: 30.504, 67,62%
Abstenção: 14.608, 32,38%
Inscritos: 45.112.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Da liberdade de expressão e das virgens ofendidas




Dificilmente se acredita na inocência do “ps”, ou de quem lhe quis fazer o jeito, no caso da suspensão do Jornal Nacional da TVI.
Pode o “ps”, e tem toda a legitimidade para o fazer, dizer-se vítima destas circunstâncias, mas nunca escapará de uma representação de virgem ofendida e não enganará muita gente. Será, isso sim, vítima de si próprio.
Pelos antecedentes que ostenta, pela arrogância, pelo décit democrático que caracteriza o seu modus-vivendi, são inúmeros os casos de atropelos à liberdade de expressão e de informação.
Desde a famosa e taxativa frase do patrão da MotaEngil e dos contentores de Lisboa que ainda está na memória das pessoas que a não têm curta “Quem se mete com o “ps”, leva” ao caso de uma jornalista, da Covilhã salvo erro, que há uns anos foi detida por não querer revelar uma sua fonte.
O presidente da Junta da Freguesia da Tocha organizou, numa iniciativa notável, uma série de palestras sobre os “25 anos do 25 de Abril”, em 1999. Assisti à subordinada ao tema da comunicação social e liberdade de informação, em que estiveram presentes vários jornalistas dos mais importantes órgãos de comunicação social do país.
Lembro-me que sobre o caso da Covilhã, o jornalista do Expresso, Manuel Marinho se a memória não me falha, aludindo às alterações da lei da imprensa considerou haver actualmente menos liberdade de imprensa que no tempo de Marcelo Caetano.
Isto no tempo de Guterres. Agora com Sócrates, com maioria absoluta, muito mais radical, arrogante e autoritário, de que é que nós, ou a Manuela Moura Guedes, estávamos à espera?
Tudo perfeitamente normal!!!
Até dá para imaginar se eles ganhassem novamente o poder, não dá?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Em inglês...


Em inglês a ignorância é muito mais bonita. Quer dizer, é bem capaz de ganhar contornos de coisa fina.
Ou o "childe Harold". Faça o favor, por aqui.

Começaram os debates...


Ou seja, as mentiras, as demagogias, as promessas, as vontades de se resolverem os problemas, a tentativa de nos atirarem areia para os olhos ao explicarem-nos que fizeram muito e muito bem, a gente é que não percebeu. Ou por má vontade ou por estupidez...
Realmente não há paciência para aturar alguns políticos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O que falta para uns passinhos mais adiante?

Augusto Alberto

Usain Bolt deu continuidade a Pequim e colocou-se, de momento, como o atleta mais mediático do desporto internacional. Ao contrário, Isinbayeva, embrulhou-se em Berlim na sua pesporrência e saiu como um embuste. Mas de quem eu mais gostei, foi de Caster Semenya.
Na meia final dos 800 metros, o seu corpo de traços robustos, num ombro a ombro no momento quente da recta final, fez rebolar a ligeirinha campeã olímpica de Pequim pela pista, que logo após, foi recolocada na final, e muito bem, pela mão do colégio de apelo. Caster Semenya, olhou com garbo, em redor do estádio e para as suas adversárias, bebeu um gole de água e saiu de cena. Na final, do ponto de vista táctico, fez tudo mal e ganhou. Só uma louca e insolente, se coloca desde o tiro de partida à frente das adversárias bem mais experientes, cobrindo a corda, sem cedências, e a cada passo, ampliando a sua vantagem e termina batendo o recorde do mundo. Acabou serena, embrulhou-se na bandeira da sua África, agradeceu e saiu firme. Para uma menina de 18 anos, meio desconhecida e com presença pela 1ª vez num campeonato do mundo, só poderá ser alguém muito especial. Quando tudo for esclarecido sobre as suspeitas do seu género, só lhe poderemos atirar um beijo, se não derem em nada, e sublinhar como a coisa mais sensacional que aconteceu em Berlim.
Portugal, neste instante, provou que afinal ainda tem excelentes atletas de fundo, sobretudo no que às longas distâncias diz respeito. Refiro-me à marcha e à maratona. Um 4º lugar colectivo na Taça do Mundo de maratona, que resulta da soma dos tempos dos três primeiros atletas de cada nação, colocou a pátria só atrás dos fabulosos atletas do Quénia, Etiópia e da extraordinária escola de maratona do Japão. E por isso, quero aqui recordar a história de uma aposta dos nossos amigos espanhóis, em ano que entenderam que a sua muito boa escola de fundo podia atingir um patamar de excepção. Num objectivo ambicioso, a médio prazo, montaram uma estratégia com vista à maratona, bem suportada financeiramente por quem nesta matéria tem responsabilidades de colocar a sua pátria no lado mais alto da história, e tiveram êxito completo. No campeonato do mundo em causa, conquistaram as três medalhas na maratona. Eu digo os nomes de ouro, prata e bronze. José Martin, um nosso duro primo galego, Abel Anton e Aberto Juzardo. Em pleno! Como é que isto foi feito? Muito simples: uma escolha criteriosa e limitada, do conjunto das competições, em linha com os interesses da participação em campeonato do mundo. Desse modo, foi possível aumentar substancialmente o volume do treino e acautelar melhores níveis de recuperação. O resultado esteve à vista, num risco superiormente calculado.
Sendo assim, então o que separa os nossos fundistas de uns passinhos mais adiante? Talvez uma pequena fatia do dinheiro que foi gasto, a contento da elite do betão, nos estádios do europeu, e colocá-lo ao serviço dessa estratégia que tão bem conhecemos. Assim, quase sempre, ficámos suspensos de uma bela medalha de prata no triplo salto e de um 4º lugar no salto em comprimento, por parte de uma atleta que nestes momentos treme sempre um pouco mais para lá do desejável. Soube a pouco.
Pois é. Estás coisas não são para quem tem tremores, num dado momento, nas solas dos sapatos e para quem tem o dever de tomar as boas decisões.
Até para a próxima.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Autárquicas na Figueira da Foz: um breve historial (I)

1976
As próximas eleições autárquicas de 11 de Outubro serão as décimas a realizarem-se em Portugal desde o 25 de Abril. E a segunda vez que não se realizam em Dezembro, a exemplo das de 2005, que também foram em Outubro, no nono dia.
Na Figueira da Foz, em 12 de Dezembro de 1976, foi o “ps” o vencedor obtendo 4 mandatos. Os outros 3 mandatos ficaram bem distribuídos: o PSD, a FEPU e o CDS elegeram cada um o seu vereador. Concorreram também os GDUPS, naturalmente os antepassados do actual BE, mas menos domesticados, que obtiveram 2,77% dos votos expressos, insuficientes para obterem um mandato. Também não lhes era proporcionado o mediatismo de que gozam os actuais bloquistas, apesar de, na altura, se viver ainda uma época, digamos, de rescaldo da fase revolucionária.
Os resultados:
PS, 10.243 votos, 43,99%, 4 mandatos
PSD, 4.645 votos, 19,95%, 1 mandato
FEPU, 3.518 votos, 15,11%, 1 mandato
CDS, 2.564 votos, 11,01%, 1 mandato
GDUPS, 646 votos, 2,77%
Votos brancos, 994, 4,27%
Votos nulos, 675, 2,90%
Votantes: 23.285, 54,59%
Abstenção: 19.366, 45,41%
Inscritos: 42.651.

História de uma fatalidade (croniqueta autárquica II)

O Tribunal aceitou a reclamação da CDU, pelo que a coligação poderá concorrer às eleições autárquicas no concelho da Figueira da Foz.
Mas a minha grande dúvida acerca do acto eleitoral é se os figueirenses têm já no seu subconsciente que terão de continuar com mais do mesmo ou se essa ideia se vai enraizando por lhes ser incutida. Isto porque tenho lido e ouvido, e não só na blogosfera, que PSD, “ps” e a Lista “Figueira 100%” são as 3 principais listas concorrentes.
O que não deixa de ser uma fatalidade: primeiro, porque são 3 listas da mesma área política, segundo, o PSD e o “ps” são os únicos partidos que têm dirigido a Figueira desde sempre, o PSD nos últimos 12 anos e o “ps” nos anteriores quase 20. Sabemos assim do que são capazes. E terceiro, a Lista “Figueira 100%” é um sucedâneo das duas anteriormente referidas, uma espécie de dois em um.
Lendo as notícias, o que se vai conhecendo dos programas, as entrevistas, da maneira como nelas evitam certos e determinados temas, está-se mesmo a ver que vai tudo continuar na mesma.
Os figueirenses não devem ter medo de uma mudança. Alguns exemplos: com a CDU no poder as “pontes galantes” passam a ser impossíveis e o pato-bravismo, sempre perto do poder e a influenciá-lo, seria afastado. A Figueira deixaria de pagar a água mais cara do país uma vez que a sua posse regressaria de onde nunca deveria ter saído, ou seja, como bem comum a água é propriedade de todos e não de um, regressaria naturalmente aos serviços municipalizados. Uma rede de transportes públicos decente, coisa que não existe no concelho, seria também uma prioridade. A luta pela abertura da maternidade, cujo encerramento não deve haver figueirense algum que não considere uma estupidez, mas sobre a qual todos os outros partidos assobiam para o lado. Na cultura, o reaparecimento de um dos maiores eventos com que a cidade contava, o Festival Internacional de Cinema, seria também uma luta a encetar.
Não temos que estar sujeitos a essa fatalidade de continuarmos na mesma. A prová-lo posso citar o caso de Peniche, onde a CDU venceu pela primeira vez em 2005. A composição do executivo camarário é assim: CDU, 3 mandatos; PSD, 2 e "ps", 2. As coisas foram tão boas ou tão más que se prevê que a coligação de esquerda consiga, desta vez, maioria absoluta.

Coragem Figueirenses, só vos falta colocar a cruzinha no quadrado certo.