domingo, 31 de março de 2013

O estado... novo, de novo

E viva o Alentejo



... e pumba!


Augusto Alberto 

Foi a primeira das péssimas experiências no hospital, onde trabalhei mais de 30 anos. Deparei-me com um homem, deitado na pedra fria, com a cabeça esgalhada, de cima abaixo, por artes de uma enxada, movida furiosamente por um vizinho, a propósito da disputa de um rego de água. Camilo Castelo Branco, sábio, escreveu sobre estas coisas. Os montes por de trás do sol, disputas a varapau, para vingar a perda de menina prometida, ou terra roubada e lamúrias de padre-nossos e avé-marias, a propósito do país rude, pobre e esbulhado, caracterizado a golpes de desconchavo, hilariante e com pitadas corrosivas de humor. O atavismo completo. Com esse atavismo, meteu-se há dias em conversa uma pessoa que me disse que estando as coisas como estão, seriam bem-vindas as F.P. 25 Abril, ou outra espécie de brigada bombista. Disse-lhe que um tiro inopinado, normalmente é tiro no nada, porque quem morreu, morreu, mas ainda ficam cá os outros bandalhos. E com uma enxadada, cima abaixo, quem a recebeu morreu e quem a deu, ficou a contas com a justiça. 25 anos de cadeia e a água a continuar a correr torta.
O importante, será saber se antes de utilizar o papelinho no dia do voto, Maria ou António, passaram a vista sobre as propostas políticas de Passos, de Portas, ou de Sócrates/Seguro. Não! Pelo contrário. Apressaram-se a votar em leis do trabalho que desequilibram a favor do mais forte e os correram para o desemprego. Deram ordem a privatizações de empresas com grandes lucros, EDP, REN, que caiem por inteiro nos bolsos dos chineses. À diminuição dos custos com a saúde, ao aumento dos impostos, à privatização da água, a parcerias, no ensino, na saúde e no asfalto, com a totalidade dos lucros para o privado, e sem lhe perguntarem, colocaram-nos no euro. E ainda por cima, há pouco tempo, um chefe de quadrilha veio dizer que Chipre pode ser exemplo a seguir. Imagine como seria, se esta gente tivesse enfiado as botas e as cuecas de Salazar. Voltaríamos à semana-inglesa e receberíamos a féria à quinzena. Tudo, um quinto ainda mais abaixo e quem sabe, adiante, uma mão aveludada de um amigo vindo do “cavaquistão, ou do “xoxialismo” nos possa vir ainda à conta.
E pumba, lá se ficam os bandalhos a rir e nós a chorar. Bem sei que a expiação ficou e é santa. Andam por aí comentadores e politólogos petulantes, que até à bem pouco aceitaram como inevitável o protectorado da troika, mas agora, que dão como seguro o desastre, já defendem o contrário. Não evitam a traição e por isso, bem podem ser figurinhas de um romance de Camilo. Bem mereceriam pagar a traição coeva, à custa do cacete e nódoas negras.

quinta-feira, 28 de março de 2013

2ª Gala Ramjanali

Na segunda "Gala Ramjanali", disputar-se-à o título nacional entre a atleta figueirense Joana Teixeira e Sandra Teixeira do Clube Oriental de Lisboa.
Este evento, uma homenagem a Carlos Ramjanali, antigo campeão europeu e mundial e primeiro treinador de kickboxing do Ginásio Clube Figueirense, serve também para a divulgação da modalidade.
A primeira edição realizou-se em 9 de Abril de 2011.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Telegráfico


Augusto Alberto

O exórdio deputado socialista Eduardo Cabrita, num texto escrito num jornal diário, dá como burlesco a eleição de um presidente comunista em Chipre. Eduardo flanqueia o voto democrático. Para ele, democrático, é o voto que o elege, mais à seita que dá corpo á rotatividade. Burlesco é um voto num comunista.
Quer-me parecer, pela pinta, que Eduardo nunca recusou um sonoro riso perante as patranhas que davam como provado o facto de os comunistas comerem criancinhas ao pequeno-almoço e darem injecções atrás das orelhas dos velhinhos. A vida prova que as patranhas não passaram disso mesmo, mas foram, todavia, muito úteis.
Certo, é que quem anda a matar as criancinhas à fome e a matar os velhinhos por falta de aconchego, são as políticas desgraçadas desenhadas pelo Partido Socialista e os comparsas da alternância. Perante os factos, sejamos claros, o Partido Socialista trinchou na palavra socialismo, retalhando a esperança. Só alguém, desde os pais fundadores, aos actuais, com fraco compromisso social, apresenta um documento como o PEC IV, como resumidamente se comprova, e que foi o prenúncio do que adiante veio e não pára, que ninguém com prefeito tino social poderia aprovar. Mas é importante ainda que se diga. Que se votou contra este nefasto PEC, sim senhor, mas não se votou o derrube de José Sócrates. José Sócrates foi embora porque quis, depois dos banqueiros acharem no momento, que melhor “preto” se perfilava. Aliás, manobra alterna e idêntica se prepara.

-Sobre o salário e o salário mínimo …não existe qualquer compromisso de aumentos para o futuro…diminuição do nível de salários oferecidos que obrigam à aceitação do posto de trabalho…forte contenção salarial.
 - Sobre as pensões …é caracterizado pela contribuição especial aplicada às pensões acima de 1.500 euros, que contarão com cortes semelhantes aos aplicados nos salários do Estado. Juntando esta medida ao congelamento geral das pensões…aceleração da convergência do regime pensões da C.G.A. com o regime geral de segurança social…
- Sobre o IVA … alguns dos produtos taxados a 6% podem passar para a taxa intermédia de 13%, e os da taxa intermédia para a taxa normal …de 23%.
- Sobre o subsídio de desemprego… rever as regras de acesso à prestação…consoante a idade e a carreira do beneficiário.
- Flexibilidade laboral… aumento da flexibilidade laboral, (mais precariedade).
- Na saúde… Reorganização das urgências nas áreas metropolitanas…para reduzir os gastos…no SNS… contratação de recursos humanos através de empresas…racionalização de despesa com medicamentos, material clínico e meios complementares de diagnostico e terapêutica.
- Na habitação …Os novos créditos à habitação vão perder os benefícios fiscais a partir de 2012.
- Privatizações…O Governo vai antecipar…várias operações de privatização que estavam previstas para 2013. CTT, ANA, C.P Carga, TAP, REN, (o que dá lucro).

Cá está a desmistificação do PEC IV. Cá está, em como o fazer para o Partido Socialista, é o mesmo que o fazer para o PPD e CDS. Cá está, em como o socialismo assim que entrou no Rato, foi metido na gaveta e depois, logo entraram os ratos, que roeram a madeira e os papéis. Sejamos claros e definitivos. O anti-comunismo é a massa de que se alimentam os dirigentes socialistas e alguma da sua base eleitoral e militante. E para os esquecidos lembro coisas semelhantes, como o lastimável retrocesso verificado no sistema de saúde britânico, por força do thatcherismo, como comprovam os últimos factos. Em Portugal, mais ou menos. Há longos anos que das rosas, nos calham os espinhos, enquanto as pétalas, poucos as abocanham.

domingo, 24 de março de 2013

Vendilhões!


Augusto Alberto

Às mães da Praça de Maio parece-lhes que Francisco sabe mais sobre os desaparecidos às ordens da ditadura argentina, do que o poucochinho que diz. Eu, que convivi com argentinos na diáspora, soube que a ditadura tinha como habilidade predilecta encher aviões militares com resistentes e despacha-los, após um leve empurrão, para as águas do Atlântico, de altura muito considerável.

Mas se o Chico se apresenta mudo às mães da Praça de Maio, confirma-se que a CIA e o MI6 estavam informados de que não havia armas de destruição maciça no Iraque, ignorando informações recebidas, meses antes da invasão. Essas informações de nada valeram. A obstinação pela guerra derrogou a racionalidade dos factos, porque multíplices interesses económicos e geopolíticos se sobrepõem. Saddam foi morto, mas a Al-Qaeda continua medonha e as populações deixadas por sua conta e risco são as principais vítimas da falta do estado. Sangue e morte, são o único e visível saldo da guerra urdida nas Lajes de Santa Maria, Açores, não esqueçamos. É sabido que a Al-Qaeda é suportada pela monarquia saudita, que, apesar do facto, é a melhor aliada árabe das manobras que o império tece, que de parvas nada têm.
Quem viu a cerimónia da tomada de posse do Padre Chico, notou a torrente de personalidades que acorreram ao beija-mão e ao desejo de bom papado. Claríssimo, não fosse o facto de pelo Vaticano terem passado alguns dos mais desgraçados cínicos que o mundo contemporâneo conhece. Se lembro a lengalenga das armas, que suportou a destruição e a morte no Iraque, é porque nesse episódio romano, para além de Durão Barroso, que em Santa Maria alinhou na farsola e por isso já deveria ter sido condenado e posto a ferros, estiveram outros passarões, como Biden, e representantes das mais vilãs dinastias árabes, que todos os dias fazem questão de negar as mais elementares regras civilizacionais. Por isso, custa ver como debaixo dos eméritos frescos do templo de Pedro, cabem todo o tipo de vilões. Fosse sério o Vaticano, expulsava -os, tal como Cristo expulsou os vendilhões do templo. Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!
Se o Tribunal Penal Internacional é a casa onde só se julgam vencidos, o Vaticano convive com naturalidade com os vilões que comandam os comércios do petróleo e da morte.

Eleições na Venezuela

O imperialismo no seu melhor. Já é déjà vu.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Chegou a prima, a prima Vera!


Árvore de frutos

Cheiras a cajú da minha infância
E tens a cor de barro vermelho molhado
De antigamente;
Há sabor a manga a escorrer-te na boca
E dureza de maboque a soltar-te nos seios,

Misturo-te com a terra vermelha
E com as noites
De histórias antigas
Ouvidas há muito.

No teu corpo
Sons antigos dos batuques à minha porta,
Com que me provocas,
Enchem-me o cérebro de fogo incontido.

Amor és sonho feito carne
Do meu bairro antigo do musseque!


quarta-feira, 20 de março de 2013

Descamisados!


Augusto Alberto


António José Ramos, Presidente da Comissão Concelhia do P.S.D. de Torres de Moncorvo, Carlos Manuel Ferreira Paço, Presidente da Comissão Concelhia do C.D.S. de Torres de Moncorvo e F.A. Aires Ferreira, Presidente da Comissão Concelhia do P.S. de Torres de Moncorvo, compreendendo as razões de descontentamento de largos sectores da população, contudo, apelaram à melhor consciência dos moncorvenses, no sentido de uma boa recepção ao Presidente da República de Portugal.
Há quem diga que cheira a Salazarismo. De acordo! Mas eu digo mais. Este é o lado tolhido e desbotado, do povo mortificado. A posição dos dois primeiros, faz a síntese de um Governo, uma maioria e um Presidente. Mas quanto à posição do Partido Socialista, entra no conjunto das rábulas de quem já cheira o pote, e vê dentro, uma espécie de mirra que cola muitas e superiores riquezas.
De tão verdade, o Partido Socialista desceu de Torres de Moncorvo para sul. Jorge Coelho, que há muito não se via e agora liberto de tarefas de CEO e de saco cheio, rompeu a intermitência e apareceu em Viseu, quem sabe, para secar a morrinha que tolhe a cabeça de Seguro e agitar os comparsas e a causa “soxialista”, por hora, seguramente chocha. Aliás, na esteira de outro celerado socialista, Torres Couto. Candidato há 4 anos, com todo o direito democrático, é bom que se diga, a putativo Presidente da Câmara Municipal de Almada, começa a desenhar à Marco Pólo nova viagem exótica, com todo o direito democrático, é bom que se diga, avançando para sul, para candidato a putativo Presidente da Câmara de Alcácer do Sal. Aliás, como quer avançar para putativo Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, com todo o direito democrático, é bom que se diga, o ex-jota, licenciado e actual deputado socialista, João Portugal, mas só dentro de 5 anos.
 Portugal, que nada sabe, precisa de um tempo para treino e nada melhor do que fazer o noviciado como vereador, nem que para isso tenha de fazer carga de ombro. A confirmar-se, a minha dúvida é se o possível estatelado, vai ter ombro para resistir ou coragem para romper. Mas isso, o tempo dirá, sabendo também, que o tempo e a magnanimidade tudo roseia.
Com o olhar apaixonado de quem gosta de contos, o que quero dizer é que estão de volta velhos descamisados, enquanto novos vão também ocupando os espaços, na procura de outras e novas camisas. Não é drama, evidentemente, com todo o respeito a Perón e aos descamisados, é bom que se diga. De todo o modo, defenda a sua. Olhe que esta gente é voraz e não perdoa.

Como diz que disse? (II)


Diz o governo que o aumento do desemprego era inevitável. É Carlos Moedas (o nome condiz) que afirma ser o dito "uma herança dos desequilíbrios estruturais da economia portuguesa". Provavelmente não só, porque o problema é geral.
O que o governo, ou o Moedas por ele, não acrescentou é que essa herança é fruto de más políticas levadas a cabo e defendidas ao longo dos anos quer por este governo quer pelos antecessores, do partido deste governo ou doutros, os chamados partidos do arco do poder, ou lá o que é. Más políticas é como quem diz, a gente percebe que é uma opção ideológica.
O moedas atesta-a: "(o desemprego) teria aumentado mesmo com caminhos alternativos aos adoptados pelo actual governo.
É preciso muita cara de pau.

terça-feira, 19 de março de 2013

Como diz que disse?


A frase é de um fascista, um fascista assumido, que para o caso não interessa nem quem é nem onde a proferiu. Diz assim: “são mais dignos de respeito os inimigos declarados do que os falsos amigos”. Pese embora eu reconhecer grande dose de verdade nela, e dela ter gostado, não significa que a leve à letra. Os inimigos, penso, não são para respeitar, são para aniquilar. Respeitá-los é diminuirmo-nos. Pelo menos no que concerne à luta de classes.
Mas lembrei-me da dita frase há uns momentos quando ouvi António José Seguro afirmar, via tv, que o PS sempre defendeu o aumento do ordenado mínimo.
Corrijam-me se estiver errado: ainda não muito tempo o grupo parlamentar do PCP apresentou no parlamento uma proposta de aumento do ordenado mínimo. A direita votou contra, aliás como é natural e se esperava, e o PS absteve-se.
Sem mais comentários.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Uma boa ditadura, estúpido!


Augusto Alberto     


    - Crónica imaginária, ou nem tanto, sobre a idade média
   
     - O colectivo do tribunal, reunido em sessão plenária, no mês de Fevereiro de 2013, após apreciar as matérias constantes dos autos, em referência aos crime de roubo, com moldura penal prevista, segundo a interpretação superior da lei, deliberou tomar a decisão colectiva de condenar o arguido, à data dos factos, com a idade de 16 anos, à pena capital. A pena de morte, segundo decisão do colectivo do tribunal, deverá ser a decapitação da cabeça, pela zona cervical, com um golpe de sabre, previamente bem laminado e afiado. Desta decisão, não existe recurso. Lido o acórdão final, o tribunal dá por encerrado os trabalhos.
     

     - Crónica sobre uma contemporânea boa ditadura.
      
       (Condollezza Rice/Conselho de administração da Chevron Corporation. Discurso, imaginário, ou nem tanto, numa tenda levantada num campo de petróleo no deserto saudita).
   
     - Majestade, deste lugar onde me encontro, desejo saudar a monarquia que dirige, e desejar a continuação das melhores relações de amizade, comerciais e de prospecção. Majestade, o nosso “core busines”, não são os direitos humanos nem a política, mas o petróleo, que faz girar as empresas do mundo, a economia global e faz correr os nossos automóveis, nas nossas belas e longas auto-estradas, ainda que saibamos, que na monarquia que vossa Majestade sabiamente dirige, existam condenados, decepados pela cabeça, ao nível da coluna cervical, com um golpe de sabre, previamente laminado, limpo e bem afiado.
     - Derrogaremos todas as críticas. E por isso, diremos que não há “drones”, Majestade, que o impeçam de prosseguir no melhor caminho, inspirado por convicções e forças superiores, que iluminam as vossas decisões.
     Brindemos às causas comuns, dos Estados Unidos, da Chevron Corporation, da Saudi Aramco Oil Company, da economia global e da monarquia Saudita, que vossa Majestade, magnanimamente dirige.
    

    Nota final: O monarca Saudita, Abdullah, vai propor uma alteração no modo como se aplica a pena de morte. Porque já não há quem queira ser carrasco, com a especialidade em cortar cabeças.

"Conversas na Bijou": Take 3


Do desemprego


Em Agosto de 2012 a taxa de desemprego cifrava-se nos 15,4%. Calcula-se, ou calculam os entendidos, que para 2013 será de 18,5%, podendo atingir os 19%. Isto sem contar com os subempregados, os que têm trabalho precário, os que emigraram.
Em Agosto de 2012, é bom lembrar, o governo que escolhemos inaugurou novas leis laborais com o objectivo de "dinamizar o mercado". 
Acho que não são precisos comentários. A não ser que o governo, por patriotismo, por vergonha, por decência se a tivesse, deveria pedir a demissão. Mas não.

sábado, 16 de março de 2013

Caridade!


Augusto Alberto


Antes de 1974 havia muita fome. E prisões, como o Tarrafal, onde morreram Bento Gonçalves e Mário Castelhano e esteve, entre outros, Luandino Vieira, o Aljube, a António Maria Cardoso e Peniche. E houve e já não há, a guerra colonial, que matou portugueses e africanos. E a dona Supico Pinto, e o Movimento Nacional Feminino, que em Moçambique, no Natal de 1973, teve a caridade de me fazer dono da colecção livros RTP.
O 25 de Abril, que perdoou a PIDES e deu saída a outros filhos da mãe. O M.F.A,  Os S.U.V., o 1º ministro demónio, Vasco Gonçalves. A 5ª divisão, que tinha por missão catequizar para o socialismo os aldeões de Portugal. A reforma agrária. As nacionalizações. Que jeito deram para compor contas públicas. E em tempo de louca bernarda, 1975, um decréscimo na riqueza produzida. Tudo, coisas más! E passados quase 40 anos, está consolidada a democracia com a chegada de boas coisas. Regressaram bufos, patifes e PIDES, que tiveram a oportunidade de se saracotearem e democratizarem. Há o Partido Comunista, a valer 8% dos votos validados e 16 deputados. Olaré! O edifício jurídico. A Europa, o euro e automóveis que afinal são mais caros, ao contrário do que acreditou amigo meu. As forças armadas, quase descamisadas. O Governo, PPD/CDS. Uma maioria, PPD/CDS. E um Presidente. E a alternância, para os momentos em que as coisas estão à beira de descambar e é preciso ter à mão o outro …o Partido Socialista. E um fenómeno que não é epi, mas bem estruturado, os banqueiros.
Uma emigração massiva como a dos anos 60 do século XX, sem mala de cartão, mas qualificadíssima. Uma taxa de desemprego como muito provavelmente só houve na monarquia e na 1ª República. Uma redução brutal da riqueza produzida, a 2ª mais alta redução após o ano da bernarda de 1975. E em alguns parâmetros, ao nível de idos anos do século XX. E desse modo, magotes de portugueses, vítimas de usuários e tornados empecilhos, a viverem na rua, a quem a chusma dos voluntários contra a fome providencia uma sopinha quente.
E para que nada se desmonte, ainda por cá anda, o “democrata”, professor, palestraste e pai de deputada socialista, que também mandou, por diploma de 1961, caridosamente, reactivar o Tarrafal da frigideira lenta e cresceu, também, uma associação de reformados dourados, na esperança de que lhes seja feita caridade. Este é o Portugal virado do avesso, onde até a caridadezinha é coisa santa.
…Tudo é disperso, nada é inteiro. Ò Portugal, hoje és nevoeiro.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Francisco, o papa misto



Jorge Bergoglio, o papa eleito, convidou os fiéis a "empreender um caminho de fraternidade, de amor". Nada de mais, é o politicamente correcto. Por outro lado, aparecem noticias afirmando que o traste colaborou com a ditadura dos generais argentinos, tendo mesmo desempenhado o papel de bufo. Nada de mais, novamente. Embora pareça uma contradição, e é, é o papel histórico dos sabujos.
O facto é que "sua santidade" me fez lembrar o jegue do Nézinho. Ou seja, é bi-facial.

O muro "democrático" tem pai


Augusto Alberto


A “queda do muro” sempre me pareceu a vitória de um modelo, que esticou o freio e partiu a galope. Contudo, gente dada ao oportunismo disse-me que, pelo contrário, se tratou da vitória das liberdades, sobre a ditadura. Nunca me convenci e nem traio, por mais dor que a história traga. Mas hoje, pessoas com quem partilho a desgraça, aceitam sem dificuldade o meu convencimento e sentem que o murro “democrático”, tem pai, é a Goldamn Sachs, e faz doer.
Com efeito, os vencedores presentearam-nos com dirigentes insanos e ignaros, como Bush filho, que recoletou, para aventuras sangrentas, percevejos como Blair, Aznar e Barroso. Depois destes, que entretanto, pelos males feitos, mereciam castigo, anunciaram-se, Berlusconi, Merkel, Sarkozy, Sócrates, Hollande, Monti, Passos, Portas, e Rajoy, que de turno, têm burilado dramas sucessivos, como aquele  no concelho de Viana do Castelo, em que um pai de 42 anos, com um filho de 2 anos chegado ao peito, encurralado socialmente, se atirou a um poço e colocou um fim abrupto à vida.
Mas como a desgraça é universal, tomemos como exemplo, ainda, a desgraça búlgara, que tomou as ruas em protesto contra o poder que em 2004, adquiriu as licenças e os direitos exclusivos de distribuição de electricidade…Isto tem de acabar…fogo nos monopólios e na máfia… gritaram os manifestantes, que pediram a renacionalização das empresas de energia.
Resfriados e entregues à miséria, os búlgaros começam a perceber o que perderam com a abrupta mudança. Para além de não contarem, carregam ainda o drama inorgânico, que é o lado canalha do sistema, porque apesar de muita “passeata”, cansam-se por pouco, enquanto a pequena elite resfolga com o poder e os meios de produção. Compreendemos assim porque as grandes manifestações de 2 de Março em Portugal, colocaram em sobressalto o percevejo capitalista, que o derrube do socialismo ajudou a inchar. Logo foram colocados no ar mensageiros, na tentativa de colar as manifestações às forças orgânicas do mal. De todo o modo, a elite sabe que enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.
Os povos latino-americanos precisaram de mais de 200 anos para perceber o que fazer. Do mesmo passo, serão os nossos quintanetos a fazer o que hoje não queremos. Por isso, quando partir, não esqueça, leve o telemóvel para mais tarde se certificar.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O conselheiro Borges e o salário mínimo


Augusto Alberto



Vai boa a discussão acerca do salário mínimo. Há quem diga que foi um erro do nosso primeiro. Mas há também quem diga que é a assunção plena de um conceito ideológico. Eu digo que estamos perante as delícias da rambóia capitalista. O que sabemos, de fonte segura, é que os custos do trabalho representam cerca de 30% do custo final da obra. E que esses custos, para gáudio, têm vindo a diminuir. Trabalha-se mais por menos dinheiro e o que se ganha, não chega para as despesas mensais. O que mais querem? Sabemos contudo, que existem outros custos, que se podem baixar a favor das empresas, como os da electricidade. Mas como fazer baixar os lucros do Mexia, dos delfins, mais os dos chineses? Dos combustíveis. E os lucros do Faria e do Amorim? E os lucros privados da água, sacados num bem público? Uma panóplia, impossível de alterar, porque a lógica da acumulação do capital, supera qualquer veleidade de respeito social.
E depois, nesta estória, também estão os que acham que um escarmentado truque, o eleva à dimensão de verdade. O Partido Socialista assaltou o nosso primeiro, com o aumento do salário mínimo, ao ponto de lhe fazer destrambelhar o pensamento e arrefinfar o cenho. Aparentemente, a grandeza vai-lhe na alma, só que a estória está escrita e revela que os factos não vão além de truque. No dia 7 de Março ultimo o Partido Socialista tentou forcejar o nosso primeiro, contudo, no dia 5 de Janeiro, a direita e o Partido Socialista, na votação do projecto de resolução n.º 551/XII, aumento do salário mínimo nacional (PCP), tomaram a seguinte posição: Rejeitado, com votos contra do PSD e do CDS-PP, votos a favor do PCP, do BE e de Os Verdes e a abstenção do PS.
Alto lá! Do truque à verdade há um espaço que nem a escarmenta consegue maquilhar. Baixe-se, contudo, os multiplicos factores de produção, como defendem os comunistas, e logo se poderá aumentar o salário do trabalhador, como se deseja, sem aumentar o custo final da obra.
Mas como a lógica capitalista é contraditória, é necessário, isso sim, manter ou diminuir o salário, para que se verifique maior acumulação de capital. Por isso, cidadão, que ganha o salário que já não dá, nem para o pão nem para a habitação, pode estar a um passo, se continuar a acreditar em melopeias, de engrossar o grupo dos que já dormem no cartão. Por higiene intelectual e cívica, mude de canal quando fala o conselheiro Acácio.
E a Passos e Seguro, dê-lhes um piparote eleitoral.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pátria!


Augusto Alberto


Pátria… Pátria… Pátria amada! Foram palavras embebidas em lágrimas de dúvida, de uma mulher venezuelana. Eu bem entendo, porque uma revolução politica e social, nunca foi, nem é, obra de um único homem, mas o resultado de milhares de vontades, ainda que não prescinda de um líder competente e mobilizador. Por isso, andou bem o Partido Comunista Venezuelano, que recusou diluir-se no movimento socialista bolivariano, num momento raro de aspereza, mantendo a sua identidade funcional e ideológica.

De qualquer modo, Chávez foi um empecilho para os apetites imperialistas e desde logo, para a oligarquia venezuelana, habituada desde sempre a pôr e a dispor dos recursos naturais da nação e do próprio povo, tido como mula de carga. Com Chávez, muitas gargantas entumeceram. Desse desconforto e confronto, deu nota a velha “vaca sagrada” da vozearia e análise, especialista em assuntos internacionais, Teresinha de Sousa. Chamada a comentar a morte de Chávez, acabou num requebro já muito visto: - veremos agora o que dirão e farão os Estados Unidos. Porquê, Teresa, esta obsessão em considerar que os Estados Unidos têm de ser escutados a propósito de tudo? Ganham alento, entretanto, as almas ressabiadas, na referência ao modo como o petróleo venezuelano tem sido usado, (até Durão Barroso reconhece que a Venezuela se destacou pelo seu desenvolvimento social), para fazer baixar a taxa de pobreza, como gritou o editorial de um diário de referência. Ora se a sovinice e a hipocrisia matassem, já tinham ido os patetas, pela simples razão, de que o petróleo venezuelano, não é assunto de agora, mas de muito antes de Chávez. A diferença está no facto de que antes, o petróleo era assunto exclusivo da oligarquia e com Chávez, passou a assunto de todos. Aliás, é pertinente afirmar que as “liberdades” estão bem, se nunca desafiarem a lógica capitalista da distribuição da riqueza gerada pelo petróleo. Por isso, quando em 1989, em plena “democracia” de Andrés Pérez, amigo socialista de Mário Soares, milhares de patriotas venezuelanos puseram em causa o abuso na distribuição da riqueza, foram liquidados, (cerca de 3.500), pelo golpe torcionário, que ficou conhecido pelo “Caracazo”.
Desse modo, Chávez, Humala, Mujica, Corrêa, Ortega e Morales, colocaram na América Latina uma séria diferença, desde a revolução cubana, entre a esquerda e a direita. A primeira, joga o jogo “democrático”, enquanto a segunda, quando pressente que o prato tomba para o seu lado, comporta-se, ainda e sempre, torcionária e fascista. Ainda não há muito tempo, o Paraguai e as Honduras foram claríssimos exemplos.

8 de Março

Não é só um dia de festa. Ou, melhor, ainda não é um dia de festa.
É um dia de luta pelo direito à igualdade. Pela mudança de política para mudar a vida das mulheres.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O exorcismo!


Augusto Alberto 

Estava o mar um cão, com uma lavadia de 3 metros, que obrigou os cargueiros a esperar quase junto à linha do horizonte. A olhar os barcos, cismava sobre meninos que não vão à escola para irem para a esmola. Recordei que há 50, 60 anos, conheci muitos de mão estendida, para recolher um pão ou mísero tostão. E angustiado, perguntei-me se foi para isto que se fez Abril?

Mas também cismei num dos meus jogos favoritos. Xuxalizar! E imaginei o seguinte diálogo, com um socialista, sobre o desejo do dirigente Chico de Assis, de um entendimento com a direita, caso o Partido Socialista vença as eleições com maioria simples. Aliás, a mesma opinião tem o tipo que comenta o “triunfo dos porcos”, Rebelo de Sousa, que em tempos, em mergulho rasante, acostou em definitivo à social-democracia.
- Que dizes tu? – Nada! Não li, disse-me o socialista imaginário. 
- E que me dizes então, companheiro, do modo como o Partido Socialista votou, juntamente com a direita, no sentido de chumbar 3 diplomas legislativos que tinham como intenção facilitar a vida a estudantes universitários com dificuldades económicas e abandono universitário.
- Também não sei.
- Que raio! Que sabes tu homem?
- Pois não sei, mas o PEC…e a unidade para derrubar o governo de Sócrates…
- Calma companheiro. Deixa-te de merdas e do PEC e centra-te exactamente no facto de nada saberes. De verdade, não passas de militante de água doce e de pouca profundidade.
- Mas antes que me vá e para acabar, o que me dizes, então, da possibilidade de ser afastado da futura lista autárquica, o actual vereador Tavares, professor e ex-jornalista amador, para dar o lugar ao licenciado, ex-jota e actual deputado João “de” Portugal?
- Estou incomodado.
- Lá está. Quando o militante é fraco e sabe apenas palrar e nadar em água doce e de pouca profundidade, tem sempre muita dificuldade em perceber as profundezas da velhacaria.
 - Queres vir à manifestação?
 - É pá! Mas o PEC…e o derrube…
Porra! Há males que nem o melhor exorcismo consegue aliviar. 

No sítio do costume, com entrada livre


Trio de stoner rock-hard blues, baterias perigosas, baixos derretidos, guitarras esmagadoras e letras incómodas cuspidas como se não houvesse amanhã. Cabaret Macabre é um complemento visual aos temas dos Bad Pig, no qual serão testemunhadas abordagens surreais à sensualidade feminina. Passando por movimentos hostis, vultos estranhos e ambientes sombrios. Os Bad Pig actuam sob as luzes que moldam as suas ideias sobre a mulher.
Membros: Ivo de Cera – Voz/Baixo; Gil Moralez – Guitarra; Taylor - Bateria

"Tubo de Ensaio d'Artes" em contraciclo



Pedro Saboga (à esquerda) e o jornalista Jorge Lemos

A segunda edição das “Conversas na Bijou”, uma iniciativa que se aplaude, teve como convidado Pedro Saboga, um dos fundadores do Tubo de Ensaio de Artes, e a conversa, moderada pelo jornalista Jorge Lemos foi, como é evidente, sobre cultura.
As poucas pessoas que afrontaram uma noite de invernia para se deslocarem ao café ficaram a saber que a ideia que presidiu ao aparecimento da associação também nasceu de uma conversa de café, entre quatro jovens.
Seis anos depois o “Tubo” cresceu, tem agora mais de 250 alunos, na dança, pintura, música, fotografia, e tem realizado vários eventos, ininterruptamente, tais como cinema, teatro, concertos musicais, exposições. Tem protocolos com várias escolas e tem-se assumido como uma pedrada no charco na vida cultural da cidade.
Tem, imagine-se, e em contradição com a política governamental de produzir desemprego, criado alguns postos de trabalho. O que poderá, não sei, provocar algum incidente diplomático com a troika. Mas é obra, numa associação ao serviço da comunidade e sem fins lucrativos.
Uma das iniciativas do “tubo” tem sido trazer à Figueira extensões de vários festivais de cinema, como o Fantas e o Festival de Avanca, o que permitirá minorar o pessimismo irónico do dr. Jorge Tocha Coelho. Diz o insigne intelectual que a Figueira cometeu suicídio cultural ao acabar com o Festival Internacional de Cinema.

quarta-feira, 6 de março de 2013

PCP faz hoje 92 anos

«Devemos sublinhar que as características fundamentais do PCP que constituem a sua identidade e foram adquiridas ao longo da sua existência e da sua luta, não correspondem a princípios, conceitos e práticas intemporais e imodificáveis. Elas têm um conteúdo próprio e diferenciado pois foram caldeadas pelo trabalho colectivo, pelo envolvimento no movimento de massas, pela militância, pelo sentido participativo, a generosidade e a disponibilidade revolucionária dos seus membros. Tais características fundamentais correspondem assim a princípios, conceitos e práticas desenvolvidas e enriquecidas com criatividade pelo próprio Partido. Elas são condição indispensável para que o PCP continue a ter na vida nacional a intervenção de que o povo português necessita e que o PCP está em condições de concretizar porque é e continuará sendo um partido comunista. (...)"

Álvaro Cunhal (extracto da intervenção no XIII Congresso do PCP)

Carta a uma quadrilheira


Augusto Alberto
   

Quem não quer ser cabra, não lhe veste a pele. Será, Yoani Sanchez, que uma má distribuição da riqueza na ilha pobre, te deram os cabedais necessários que te permitem degustar a traição? Não creio, porque a repartição tem critérios rígidos. Então de onde chegam? Seguramente da máfia de Miami e de um gabinete do departamento do estado, especializado em apoiar quadrilheiro(a)s.
E de que direitos humanos falas? Exigir que se cumpra sucessivas deliberações aprovadas na ONU, que condenam os Estados Unidos pelo néscio embargo económico à ilha onde nasceste? Exigir que, em definitivo, deixem Guantanamo, o nicho de terra aprisionado no teu país? Nem pensar! Vais, sim, conspirar contra a terra onde nasceste, que a ter sucesso, te recompensará. Ou talvez não! Deu-se o caso, há muitos anos, um degustado dissidente, como Solzenitzin, ter sido vomitado. Informas, que irás ao México falar de direitos humanos. Como? Serão estes? A Human Rights Watch, denuncia 149 casos de “desaparecimentos forçados” no México, ao longo dos últimos seis anos da presidência de Filipe Calderon, e nos quais estão envolvidos o Exército, a Marinha, a polícia federal ou polícias estaduais ou municipais. Na plateia, hipócrita, vão estar do mesmo passo, assassinos e um Estado incapaz de proteger os seus cidadãos. Mas deixa que aprofunde o verbo. Em algum momento, em Cuba, tua terra, te viste na contingência de desaparecer à semelhança dos cidadãos mexicanos referidos? Imagino ver-te rufiar o cenho, e dizer, talvez! Mas não foste, porque andas por ai num papelinho! Adiante por S. Paulo!
Mas não é na grande metrópole que se matam pessoas e polícias, como se se tratasse da mais pacífica traquinice? E pela Espanha? Se os mortos falassem, alguns dir-te-iam que foram vítimas do modelo social e económico que andas por ai a aconselhar. Nessa decrépita monarquia, Yoani, há gente sem emprego, pão e habitação e branca, muito branca corrupção, pelo que uma linha estreita a separa do colapso. E saberás que na República Checa, foram construídas prisões, estritamente, para amedrontar prisioneiros de guerra, e pela Alemanha e Itália, passaram aviões carregados de prisioneiros com destino ao chicote e ao duche frio de Guantánamo?
Concluirás o périplo nos Estados Unidos. Com efeito, esperam-te gangsters. Cuidado, não te convide Pousada Carriles, para uma bombinha aqui, outra ali. Fazes-te de sonsa, mas não passas de uma galdéria. Acabada a função, serás encontrada com o ventre dilatado nas águas cálidas do golfo, que é o modo como se paga a quadrilheiras. De que direitos humanos falas, cachopa?

HUGO CHÁVEZ

O "Aldeia Olímpica" partilha a dor do povo venezuelano. 
Chávez não só trouxe à Venezuela a justiça social e a dignidade, já um vasto programa, como também fez com que os venezuelanos tomassem conta do seu próprio país.
Não te esqueceremos, comandante.

sábado, 2 de março de 2013

O cavaleiro da boa figura


Augusto Alberto

Façam o favor de passar os olhos por Cervantes e D. Quixote. É leitura inigualável e de deslumbrante inteligência e fino humor. Se vivesse hoje, Cervantes escreveria sobre as andanças e desditas no reino de Espanha. O seu cavaleiro D. Quixote, desta feita, trocaria a leitura dos romances de cavalaria sobre Palmeirim de Inglaterra e Amadis de Gaula, pela leitura de Marx, para melhor interpretar a teoria da acumulação do capital, confirmada com os 5 milhões de desempregados em Espanha. D. Quixote, que foi probo, inteligente, letrado e casto, porque se deu de amores a uma única mulher, na companhia do camponês Sancho Pança, seu fiel escudeiro, percorreria a Espanha, numa batalha sem quartel, contra os que trazem a fome.
Passasse por botequins, ou estalagens baratas, haveria de topar com gente puída e despossuída de casa e pão, e não acharia na moderna Espanha, a sua amada e virgem Dulcineia del Toboso, mas uma “infanta” comprometida com a mais desbragada e fascinante corrupção. Talvez acometesse de lança e elmo e rubro de raiva contra o palácio real. Mandaria, entretanto, ao Palácio da Moncloa, por o seu tempo ser escasso, o seu fiel escudeiro, Pança, montado no ruço pachorrento, para avisar que mais cedo do que tarde, o seu amo, D. Quixote, lá chegaria, para pedir explicações a quem permite que homens e mulheres em desespero, se lancem de um andar para o passeio, ou se imolem num centro de emprego, e para perceber que políticas criaram o espantoso exercito de desempregados, que sempre que sai à rua, é violentamente sovado pela policia e que têm um rei, que em vez de exigir a boa democracia, sai à caça de rinocerontes pretos e se perde por uma puída baronesa teutónica.
E à sede do Partido Popular chegaria para pedir informações sobre a lisura, que nunca houve, desde o tempo do fascista galego, Fraga Iribarne e ao tempo do fascista Aznar. D. Quixote, cavaleiro da grande figura, montado no estafado Rocinante, de lança, elmo e chapéu em forma de bacia de barbeiro, hoje, surpreendido, deixaria os moinhos de vento em paz e atirar-se-ia contra bancos e palácios, onde mora gente de má-fé e má conduta. Passaria o cavaleiro Manchego, para sossegar e aprender um pouco mais com os ensinamentos de Marx, pela sua Alcalá de Henares, e na sua preciosa tarefa, não teria uma pequena Ilha para administrar, mas teria o grande capital e toda a Espanha para limpar. 

"É assim tão complicado pôr as pessoas a tratar das matas?"

Deve ser tão difícil como rebentar as fuças a certos ignóbeis.

sexta-feira, 1 de março de 2013